BOMBA! NETO SE RENDE A NEYMAR AO VIVO, MAS FELIPE MELO PERDE A PACIÊNCIA E ESMAGA THIAGO MENDES
Neymar dá aula em campo, Thiago Mendes passa vergonha e a crônica esportiva não perdoa: o que fica do duelo Santos e Vasco?
O futebol brasileiro tem dessas coisas. Quando a bola rola, o gramado é o juiz supremo, o único tribunal onde a soberba paga o preço e o talento fala mais alto. O recente confronto entre Santos e Vasco, que terminou com um sonoro 3 a 0 para o Peixe, não foi apenas uma vitória tática ou técnica; foi uma lição de hierarquia esportiva que ecoou muito além dos 90 minutos. De um lado, a genialidade de Neymar, que parece ter redescoberto a alegria de jogar. Do outro, a atitude de Thiago Mendes, que tentou transformar o túnel de acesso ao campo em um palco de desdém, e acabou saindo dele como o grande derrotado da noite.
Para quem assistiu, ficou claro: Neymar não apenas jogou; ele regeu. E a repercussão não tardou. O “Craque Neto”, com o seu estilo habitual, visceral e sem filtros, não poupou críticas. “O que o Neymar jogou, é brincadeira, irmão. Cara, ele jogou muito”, disparou o apresentador, ainda incrédulo com o nível da atuação. E ele toca num ponto que tem sido o mantra de muitos torcedores: por que esse Neymar não esteve presente nos grandes momentos recentes da Seleção? O nível de entrega, a participação nos gols, a decisão nas bolas paradas — tudo isso desenhou um cenário de um jogador que ainda tem muita lenha para queimar, apesar das críticas que o cercam constantemente.
O “vácuo” que custou caro
O grande ponto de ebulição, contudo, não foi o placar, mas o gesto. Antes mesmo da bola rolar, Thiago Mendes protagonizou um episódio que logo virou alvo de debates acalorados. Ao cruzar com Neymar no campo, o jogador vascaíno simplesmente ignorou o cumprimento estendido pelo craque santista. O “vácuo” foi nítido, calculado, uma tentativa de demonstrar marra.
A pergunta que surge — e que dominou as mesas redondas e as redes sociais — é a velha questão da dois pesos e duas medidas. Se fosse Neymar o autor daquela desfeita, o que estaríamos lendo agora? A imprensa já teria decretado a “arrogância” do camisa 10, o “problema de vestiário” que ele representa, o rótulo de “cafajeste” que tantos insistem em colar no jogador. Mas, como o cenário foi o oposto, o debate se transformou em uma análise sobre a falta de humildade de quem quer ser “brabão” fora das quatro linhas e, dentro delas, acaba sendo engolido pela realidade.
Neto foi certeiro na análise: “Se é o contrário, meu Deus do céu, como estariam as redes sociais agora?”. A hipocrisia do mundo do futebol é um capítulo à parte. Neymar, por vezes, é alvo de um escrutínio muito mais severo do que qualquer outro atleta brasileiro. Quando ele é cortês e tenta cumprimentar um adversário, ele é ignorado. Quando ele dribla e decide, é chamado de provocador. Thiago Mendes, ao tentar desestabilizar o craque, acabou apenas criando um cenário onde a sua própria atuação seria cobrada com rigor dobrado. E, bem, o campo não mente: o “gatinho” Thiago Mendes foi superado pelo “leão” Neymar.
O contraste de trajetórias
É impossível dissociar o episódio desse jogo da história pregressa entre os dois. Em dezembro de 2020, um lance infeliz de Thiago Mendes resultou em uma lesão grave em Neymar. O pós-jogo daquela época foi marcado por um pedido de desculpas público do volante, que, aos olhos de muitos, soou protocolar, lido em um roteiro pré-escrito para estancar o “hate” que recebia.
Agora, a situação se repete sob uma nova ótica. Comparar as carreiras, embora possa parecer um exercício de soberba, é o que a torcida faz naturalmente quando se sente desrespeitada. De um lado, um jogador que coleciona cerca de 40 títulos e influencia gerações; do outro, um atleta que acumula algumas conquistas, mas que, na memória coletiva, corre o risco de ser lembrado mais pelos desentendimentos com o craque do que pelo futebol apresentado.
Não se trata de desmerecer a profissão de ninguém, mas de reconhecer a hierarquia do talento. Neymar tem, em número de gols, mais influência técnica do que muitos volantes têm de desarmes em toda a carreira. Colocar os dois no mesmo patamar de “provocação” é um erro de análise. Neymar é, acima de tudo, um jogador que responde com a bola. Enquanto o adversário tentava criar uma narrativa de hostilidade, Neymar respondia com duas participações decisivas em gols, provando que a verdadeira “brabeza” está na capacidade de decidir um jogo fora de casa.
O calvário vascaíno
E o Vasco? O cenário é preocupante. Com a derrota por 3 a 0, o time se vê em um momento crítico, estacionado na tabela e com a sombra do rebaixamento crescendo a cada rodada. O desempenho coletivo foi humilhante, e a torcida, sempre apaixonada, já começa a questionar os rumos da equipe, do comando técnico — muitas vezes pedindo o retorno a raízes brasileiras para entender a “alma” do clube — até a postura dos próprios atletas.
O Santos, por outro lado, sai fortalecido. Vencer o Vasco, mesmo com todos os problemas que o adversário atravessa, é um combustível necessário. A atuação de Neymar dá ao técnico e ao elenco uma esperança de que, com o craque em forma e motivado, a briga no topo da tabela, ou pelo menos contra os gigantes como o Palmeiras na Copa do Brasil, ganha outro peso.
O aviso está dado: o Palmeiras que abra o olho. Com o Neymar que vimos nesse jogo, o campo, seja ele Parque Antártica ou qualquer outro nome, torna-se um terreno perigoso para qualquer defesa. A confiança do torcedor santista, que andava abalada, encontra no camisa 10 um pilar para se apoiar.
O futebol que sobrevive ao ruído
No fim das contas, esse episódio nos lembra por que amamos e odiamos o futebol na mesma medida. Ele é o espelho de nossas tensões. A tentativa de Thiago Mendes de desdenhar de um dos maiores nomes do esporte mundial pode ter sido uma estratégia psicológica, mas o tiro saiu pela culatra. Quando você cutuca um craque, o risco de ser desmoralizado dentro das quatro linhas é proporcional à grandeza dele.
Se Thiago Mendes queria ser lembrado pela sua postura firme, conseguiu, mas não da maneira que esperava. Ele foi lembrado pela postura que, diante de um resultado adverso, pareceu apenas desnecessária. Neymar, por sua vez, provou que a sua maior “vingança” sempre será o futebol. Ele não precisou trocar xingamentos ou se envolver em polêmicas físicas. Ele simplesmente jogou.
Para o torcedor, fica a lição: o jogo, como diz o ditado, sempre nos reserva o veredito. Quem ri por último, ri melhor. Agora, resta saber como os bastidores vão reagir. As coletivas, as redes sociais, as notas de repúdio ou os silêncios estratégicos fazem parte do circo. Mas, quando a poeira baixar, o que ficará nos livros de história é o placar de 3 a 0, a atuação de gala e o reconhecimento de que, independentemente das críticas, Neymar segue sendo o nome que faz o torcedor levantar da cadeira.
O episódio serve, também, para uma reflexão sobre a própria crônica esportiva. Estamos prontos para analisar o futebol sem o viés do personagem? Conseguimos separar a pessoa do atleta? O tratamento dado a esse “vácuo” diz muito sobre quem nós, como público e mídia, escolhemos crucificar e quem escolhemos poupar.
Por enquanto, o Santos segue o seu caminho, o Vasco luta contra os seus fantasmas e Neymar, mais uma vez, provou que, enquanto houver bola rolando, ele tem a palavra final. Que venham os próximos jogos, e que a soberba continue servindo de combustível para os que, dentro de campo, sabem que o respeito se conquista com talento, não com desdém. Porque no dia em que o futebol deixar de ser esse tribunal emocional, ele deixará de ser o nosso maior patrimônio. E, convenhamos, ninguém quer ver um jogo onde não se pode torcer, cornetar e, acima de tudo, se deslumbrar com um lance de gênio.