BOMBA NO INTER! O QUE ACONTECEU FOI TÃO ABSURDO QUE BALDASSO E RENATA SE DESESPERARAM — E O PIOR VEIO DEPOIS!
O Fundo do Poço Colorado: Crônica de uma Tragédia Anunciada no Beira-Rio
Dezembro do ano passado. Para o torcedor do Internacional, aquela virada de ano não teve gosto de festa, de fogos de artifício ou de esperança renovada. Teve gosto de sobrevivência pura. Foi um dos dias mais insanos, malucos e tensos da história recente do clube gaúcho, quando a permanência na Série A só veio graças a uma combinação milagrosa de resultados paralelos que conspiraram a favor de um time que flertou abertamente com o abismo. Naquela noite, a sensação geral era unânime: o susto servira de lição.
Acreditava-se, de forma quase ingênua, que a direção, a comissão técnica, os jogadores e a própria torcida haviam compreendido o recado. O mínimo que se esperava para esta temporada era um Campeonato Brasileiro de transição, sem grandes voos, é verdade, mas longe do sofrimento crônico. Um time na média, equilibrado, daqueles que frequentam o meio da tabela e deixam o torcedor pelo menos assistir aos jogos de coração desacelerado.
Mas a realidade no Beira-Rio tem o condão de ser implacável — e muito mais cruel do que qualquer expectativa otimizada.
Meses depois daquele sufoco histórico, o cenário que se desenha é de desespero. O empate em zero a zero contra um misto do Atlético-Mineiro, em pleno Beira-Rio, funcionou muito mais como um atestado de óbito técnico do que como um ponto somado. O gramado foi palco de um verdadeiro resumo do que tem sido a campanha colorada: um amontoado de nervos, confusão generalizada nos minutos finais, bate-boca em espanhol entre medalhões e a constatação melancólica de que a Série B deixou de ser uma ameaça distante para virar uma probabilidade matemática assustadoramente real.
O Horror em Campo: Um Time Amorfo e Vazio
Quem assistiu ao empate sem gols contra o Galo não viu apenas uma partida ruim de futebol; presenciou a autópsia em tempo real de uma equipe completamente desnorteada. O Atlético-Mineiro, com a cabeça claramente voltada para os compromissos decisivos de copas, veio a Porto Alegre administrando o cansaço. Fez cera, cozinhou o jogo e levou para casa exatamente o que queria. O Inter, por sua vez, precisando desesperadamente da vitória para estancar a sangria, revelou-se um imenso conjunto vazio.
As definições disparadas pelos comentaristas e jornalistas após o apito final traduzem com precisão cirúrgica o estado de espírito nas alamedas coloradas. O time foi qualificado como amorfo, modorrento, burocrático, flácido, descomprometido, desconcentrado e desorientado. Faltou tudo. Sobretudo, faltou vergonha na cara e qualidade técnica básica.
O volume de jogo apresentado pela equipe de solo gaúcho foi descrito como improdutivo, oco e inútil. Trocas de passes laterais intermináveis, lentidão exasperante na transição e uma incapacidade crônica de infiltrar na área adversária. Quando o Internacional resolveu se lançar ao ataque — algo que, ironicamente, tem sido o calcanhar de aquiles da equipe ao longo de todo o Brasileirão —, o resultado foi o desespero. A constatação estatística e tática é dura: o Inter só consegue algum resultado quando joga acuado, protegendo sua defesa frágil e apostando em uma bola esticada. Quando precisa propor o jogo, assumir o protagonismo e ir para cima, a engrenagem simplesmente derrete.
A falta de planejamento estratégico cobra o seu preço de forma implacável. Desde março, a diretoria sabia que o ciclo de determinados atletas chegaria ao fim e que a lacuna deixada no comando de ataque seria um problema monumental. No entanto, o que se viu foi a repetição de velhos erros de gestão: a aposta em nomes que não entregam o que custam, a montagem de um plantel desequilibrado e a insistência em soluções caseiras improvisadas, como ver o jovem Juninho tendo que desempenhar o papel de centroavante solitário em um jogo de tamanha pressão. É o retrato fiel de um clube que caminha à deriva.
A Revolta das Vozes: Baldasso, Renata Fan e o Clima de Velório
Fora das quatro linhas, o termômetro da crise atingiu níveis estratosféricos. Nas transmissões e debates esportivos, a incredulidade deu lugar à revolta aberta. Fabiano Baldasso, um dos rostos mais expressivos da torcida colorada na mídia, não poupou palavras para escancarar o tamanho do buraco em que o clube se meteu. Com mais de cinco décadas de vida acompanhando o cotidiano do Internacional, Baldasso cravou sem meias-palavras: nunca viu um time tão ruim vestindo a camisa vermelha em toda a sua existência.
A crítica não poupou nem mesmo aqueles que, em algum momento de carência técnica generalizada, ganharam status de solução temporária. Jogadores como Carbonero viraram alvo da ira da torcida, com direito a manifestações extremadas de que o atleta não teria mais condições nem de passar na porta do estádio. Até mesmo o lateral Bernabei, que em fases anteriores chegou a ser idolatrado por parte da arquibancada como um sopro de esperança na ala esquerda, foi colocado contra a parede. A leitura fria do momento atual é implacável: num Internacional de nível minimamente médio, grande parte do atual elenco simplesmente não teria espaço.
Renata Fan, conhecida por sua paixão inabalável e pelo sofrimento diário nos programas esportivos ao debater a fase do clube do coração, também estampou o desespero absoluto. As reações captadas nos estúdios e nos camarotes do Beira-Rio mostram um clube paralisado pelo medo. A tensão acumulada transbordou nos minutos finais da partida contra o Atlético-Mineiro, quando uma confusão envolvendo Maripán, Franco e outros atletas transformou o gramado em um ringue de discussões e empurrões. A cena de jogadores brigando entre si e discutindo com adversários enquanto o tempo escoava simboliza o caos institucional e anímico que tomou conta do vestiário.
E o pior de tudo é o calendário. O empate sem gols serviu apenas para empurrar o time ainda mais para o fundo do poço, bem na semana em que se avizinha mais um Gre-Nal decisivo. Questionado sobre as perspectivas para o clássico contra o arquirrival Grêmio, o próprio Baldasso resumiu o sentimento de comiseração geral com uma frase que diz tudo sobre o fundo do poço: a única esperança de vencer o próximo confronto reside no fato de que o Grêmio está tão mal quanto o Internacional. É a disputa melancólica para saber quem é o menos pior em campo.
O Peso de uma Gestão Irresponsável
Mas seria simplista demais culpar apenas os onze jogadores que entram em campo ou a comissão técnica de plantão. O buraco do Internacional é muito mais embaixo e tem raízes profundas fincadas na sala da presidência e nas decisões administrativas tomadas ao longo dos últimos anos.
O torcedor colorado assistiu, perplexo, a uma política de contratações que desafia qualquer lógica financeira e esportiva. É o modelo de gestão que vive de lampejos e grifes, ignorando a realidade do caixa do clube. Quer um jogador que está se destacando na Argentina? Contrata. Quer um técnico badalado no Equador que custa uma fortuna e sequer tem o perfil adequado para o futebol brasileiro? Paga-se alto, mesmo sem ter recursos. Contratar nomes de peso como Borré gerou expectativas gigantescas, mas a conta chegou — e veio acompanhada de um endividamento assustador, deixando o clube devendo a Deus e ao mundo.
Enquanto outras equipes de massa, mesmo com administrações questionadas ou limitações financeiras severas, conseguem operar com os pés no chão, o Internacional parece ter optado pelo caminho do delírio administrativo. Gastou-se o que não tinha, apostou-se no escuro e formou-se um grupo de atletas caros, porém desprovidos da coesão necessária para suportar a pressão de vestir uma camisa pesada. O resultado está aí: salários em dia (ou a promessa deles) bancados à base de empréstimos e engenharia financeira, enquanto em campo o time entrega exibições melancólicas.
Comparado a outras praças tradicionais do futebol brasileiro que também já provaram o amargo gosto da queda, o caso colorado ganha contornos ainda mais dramáticos. Clubes que caíram frequentemente o fizeram por absoluta falta de recursos financeiros crônicos. O Inter caiu — ou melhor, está pavimentando sua autoestrada para a Segundona — gastando como se estivesse no topo da cadeia alimentar sul-americana. É o pior dos mundos: a megalomania unida à incompetência técnica.
A Porta da Série B Está Aberta
A reta final da temporada se transformou em uma via-crúcis. A matemática não perdoa e o desempenho em campo menos ainda. Os adversários diretos na parte inferior da tabela conseguem, aqui e acolá, somar pontos preciosos, respirar e tentar escapar da degola. O Colorado, contudo, estacionou em uma rotina de impotência que paralisa qualquer tentativa de reação.
A receita para a tragédia está pronta, impressa e testada. É a mesma fórmula desastrosa que quase resultou na catástrofe do ano passado, baseada na ilusão de que “uma hora a bola entra” ou de que a camisa, por si só, ganha jogos. Não ganha. No futebol moderno, camisa sem alma e sem organização tática serve apenas de alvo para chacota dos adversários.
Enquanto a bola não rola para o próximo clássico e a pressão atinge o ponto de ebulição, o torcedor colorado vaga pelas ruas de Porto Alegre entre a revolta e a resignação. A Série B, que por décadas pareceu um pesadelo restrito aos outros, hoje se desenha na parede do Beira-Rio com traços nítidos e inegáveis.
Resta saber se ainda há tempo — ou, acima de tudo, hombridade dentro daquele vestiário — para evitar que a profecia se cumpra e que o clube viva o capítulo mais vergonhoso de sua centenária história. As portas estão abertas. E o Inter, infelizmente, parece fazer questão de cruzá-las.