CHOCANTE! Dorival perde a cabeça no vestiário após vexame histórico e a mídia brasileira arrasa o técnico sem piedade: “Ele não aguenta mais a pressão!”
O tamanho do buraco: quando a crise do São Paulo vai muito além de quem está na casamata
O vestiário do Estádio da Condá respirava um silêncio pesado, daqueles que deixam o ar rarefeito. A derrota por 1 a 0 para a Chapecoense — que até então não sabia o que era vencer desde a primeira rodada do Campeonato Brasileiro — não foi apenas mais um tropeço na tabela. Foi o retrato escancarado de uma instituição à deriva, um clube engolido por suas próprias contradições, onde demitir treinadores virou um ritual vazio, um placebo político para acalmar temporariamente as arquibancadas enquanto a engrenagem de cima continua emperrada e corrompida.
O revés em Santa Catarina completou uma marca assustadora: dez jogos consecutivos sem vencer no Brasileirão e quatro meses completos sem saber o odiado gosto dos três pontos na competição nacional. Sob o comando de Dorival Júnior, o time exibe o que analistas e torcedores apontam sem hesitar como o pior futebol praticado na Série A. É um desempenho protocolar, apático, destituído de qualquer resquício daquela alma que historicamente definiu o Tricolor do Morumbi.
No entanto, apontar o dedo exclusivamente para o técnico soa não apenas injusto, mas intelectualmente desonesto. Como bem destacou a análise de bastidores repercutida por criadores de conteúdo e jornalistas esportivos logo após o apito final, o problema do São Paulo não cabe na prancheta de Dorival. O buraco é muito mais embaixo.
A ilusão da culpa única e a falta de brio em campo
É evidente que o comandante tem sua parcela de responsabilidade em escolhas táticas, convicções que já parecem esgotadas e na incapacidade crônica de fazer o time reagir. Mas transferir para ele todo o peso de uma campanha vexatória é ignorar o que acontece dentro das quatro linhas e, sobretudo, nos gabastãos do clube.
Falar em “vergonha”, “fiasco” ou “vexame” tornou-se redundante diante do que se viu em campo. O São Paulo jogou contra uma Chapecoense lanterna do campeonato parecendo ser o time desesperado lutando contra o rebaixamento, enquanto o adversário exibia a intensidade de quem buscava uma vaga no G4 da Libertadores. Faltou o básico: vontade, brio, um carrinho disputado com a alma, a ânsia de vencer. O treinador não entra em campo para dar uma dividida, não veste a chuteira para correr atrás do prejuízo. Há uma responsabilidade intransferível que pertence ao atleta, àqueles que vestem uma camisa pesada e parecem alheios ao peso histórico que carregam.
Lembrar das declarações antigas de Hernán Crespo sobre a dura realidade dos 45 pontos ou dos avisos prévios de jogadores como Luciano no início da temporada mostra que o diagnóstico de terra arrasada já era conhecido. O São Paulo vive uma crise existencial, institucional e de identidade profunda.
A podridão nos bastidores e a herança maldita dos dirigentes
Se o desempenho em campo é sofrível, a estrutura diretiva que comanda o clube há anos é a verdadeira raiz cancerígena dessa situação. Enquanto a torcida esgota a paciência e carrega o time no colo — sustentando a equipe fora da zona da degola estritamente pelos tropeços dos concorrentes diretos e pela gordura inicial do campeonato —, a política interna do clube coleciona episódios lamentáveis.
Escândalos envolvendo presidentes usando recursos corporativos para fins particulares, gestões temerárias e brigas de poder minaram a estabilidade financeira e moral do São Paulo. É sintomático que grandes clubes brasileiros estejam correndo para se transformar em SAFs na tentativa desesperada de escapar da sanha de dirigentes incompetentes ou mal-intencionados. No Morumbi, a estrutura física existe, o CT é de primeiro mundo, mas a governança apodreceu por dentro.
Como bem ponderam figuras atentas ao cotidiano político do clube, os técnicos passam — este já é o terceiro a tentar estancar a sangria —, mas a corja dirigente permanece sugando a instituição. Respinger no treinador é o caminho mais fácil para a diretoria blindar a si mesma e desviar o foco da própria incompetência.
O abismo e o risco real
A realidade nua e crua é que o São Paulo corre sério risco de rebaixamento. O mantra de somar os pontos necessários para espantar o fantasma virou uma utopia distante, soterrada por quase um turno inteiro sem vitórias. A equipe que outrora ditava o ritmo do futebol brasileiro nos anos 2000, que encarava o Milan e o Liverpool de igual para igual no Mundial, hoje patina na mediocridade, refém de sua própria desorganização.
A torcida, esgotada de pedir desculpas e de ouvir coletivas protocolóreas e vazias de sentido, sabe que a solução não virá apenas de uma mudança na casamata. Substituir Dorival por outro nome sem limpar a casa institucionalmente é apenas trocar a gravata de um navio que continua afundando.
Resta saber se a reação nos próximos compromissos em casa — contra adversários duríssimos como Bragantino e Atlético Mineiro — virá acompanhada de uma revolta consciente ou se o clube continuará caminhando a passos largos rumo ao fundo do poço, enquanto os verdadeiros culpados assistem de camarote ao desmoronamento de um gigante.
Na sua opinião, quem carrega o maior peso nessa situação catastrófica: a apatia dos jogadores, as escolhas da comissão técnica ou a gestão desastrosa dos dirigentes? Deixe sua visão nos comentários.