“É UMA VERGONHA!” Mauro Cezar HUMILHA o futebol do Palmeiras e solta frase DEVASTADORA que incendiou a torcida

O Labirinto Tático do Palmeiras: Por Que o Time Mais Rico do Brasil Desaprendeu a Jogar?

“É constrangedor.” Talvez não exista um adjetivo mais preciso, doloroso e, ao mesmo tempo, incrivelmente necessário para definir o atual momento do futebol praticado pela Sociedade Esportiva Palmeiras. A palavra, que ecoa nas arquibancadas do Allianz Parque (ou Palestra Itália, para os saudosos puristas que preferem manter os pés fincados na tradição), reflete um sentimento de indigestão coletiva. Não se trata de uma crise de resultados isolada, de uma eliminação precoce ou de um azar monumental em uma noite onde a bola cismou em não entrar. Trata-se, fundamentalmente, de um esgotamento de ideias. Um time bilionário, com uma estrutura de primeiro mundo e um elenco recheado de talentos, que se transformou em um verdadeiro “Frankenstein” tático dentro das quatro linhas.

Mauro Cezar critica empate entre Palmeiras e Internacional

Para entender a dimensão do buraco em que a comissão técnica de Abel Ferreira se meteu — e do qual parece ter enorme dificuldade para sair —, é preciso primeiro olhar para a conta bancária do clube. O Palmeiras não é uma equipe que vive de migalhas ou que precisa fazer milagres com elencos montados às pressas no apagar das luzes da janela de transferências. Muito pelo contrário. Estamos falando de uma instituição extremamente bem gerida, que nada em um mar de receitas superlativas. Um clube que forma e vende talentos em escala industrial e com cifras astronômicas. Se não fosse por Endrick, recentemente negociado a peso de ouro com o Real Madrid, se não fosse por Estêvão, já com passaporte carimbado para a Europa, ou por Vitor Reis e Luis Guilherme, essas joias da academia seriam (e são) a engrenagem que financia a roda da fortuna alviverde.

Vender esses garotos por dezenas de milhões de euros permite ao clube ir ao mercado e repatriar jogadores de peso, manter peças fundamentais e ter um banco de reservas que causaria inveja a 95% dos times do continente. Quando você olha para as opções que entram no segundo tempo de uma partida do Palmeiras, não são garotos inexperientes ou apostas de times pequenos. São jogadores caros, de alto nível, que compõem um elenco robusto. O Palmeiras tem bala na agulha. Divide o topo da pirâmide financeira do futebol sul-americano com o Flamengo. E é exatamente essa pujança financeira que torna o futebol apresentado nos últimos meses tão inaceitável. Se o clube entrega todas as ferramentas de última geração nas mãos da comissão técnica, o mínimo que se espera é uma obra de arte, ou, no mínimo, uma casa bem construída. O que se vê hoje, porém, é um puxadinho tático que ameaça desabar a qualquer rajada de vento.

A recente sequência de exibições pífias, culminando no sofrível empate contra o Cerro Porteño pela Copa Libertadores, escancarou um problema que muitos torcedores — inebriados por um culto quase religioso à figura do treinador — tentam varrer para debaixo do tapete. E que tapete gigantesco. Como bem apontado por críticos e analistas, a sujeira acumulada sob o tapete palmeirense já deve ter a altura do Monte Olimpo (o de Marte, diga-se de passagem, que é mais de duas vezes maior que o Everest).

Vamos ao campo, onde a teoria desmorona e a prática revela a dura realidade. O Palmeiras adotou, desde 2023, um fetiche por um sistema de três zagueiros que, na forma como é executado, aniquila qualquer possibilidade de protagonismo com a bola nos pés. Jogar com três defensores não é, por definição, uma retranca. Grandes equipes do futebol mundial utilizam o esquema para liberar alas, preencher o meio-campo e criar superioridade numérica na saída de bola. O problema é como e com quem o Palmeiras tenta fazer isso.

A trinca defensiva alviverde — composta, na maior parte do tempo, por jogadores como Gustavo Gómez e Murilo — é formada por atletas de indiscutível imposição física, excelentes na bola aérea e implacáveis no combate direto na entrada da área. Contudo, nenhum deles possui o passe refinado, a visão de jogo ou a capacidade de quebrar linhas adversárias com a bola no chão. Quando o time enfrenta um adversário fechado, que espelha o esquema tático e abaixa as linhas de marcação (como fez o Cerro Porteño no Allianz Parque), o que acontece? O adversário simplesmente deixa os zagueiros do Palmeiras trocarem passes de forma inofensiva na intermediária defensiva.

Sem zagueiros construtores, o time entra em colapso. O volante (muitas vezes Aníbal Moreno ou Richard Ríos) precisa recuar quase até a linha de fundo para tentar iniciar a jogada. Isso cria um efeito dominó catastrófico: o volante recua, esvaziando o meio-campo. Os meias precisam voltar para buscar o jogo, deixando os atacantes isolados. De repente, Flaco López se vê obrigado a sair da área para tentar armar, e o time fica com um vácuo no setor ofensivo. O resultado é um time previsível, lento, letárgico, que gira a bola de um lado para o outro sem nenhuma verticalidade, até que alguém perca a paciência e aposte em um cruzamento desesperado e sem rumo para dentro da área.

É nesse cenário de deserto de ideias que surge o que muitos estão chamando de “Frankenstein” tático de Abel Ferreira. Para tentar consertar um erro, a comissão técnica comete outros dois. Vemos zagueiros caindo pelas pontas para tentar um cruzamento — como Murilo se aventurando na linha de fundo em um ato de desespero. Vemos volantes improvisados na lateral-direita. Vemos pontas canhotos atuando como alas pela direita, precisando cortar para o meio e afunilando um jogo que já está congestionado por defensores adversários. O time se torna “torto”. Em vez de alargar o campo, esgarçar a marcação inimiga e explorar o fundo para furar as famosas “retrancas”, o Palmeiras converge todo o seu jogo para um funil central onde as jogadas invariavelmente morrem.

Quando a tática falha de forma tão retumbante, a muleta das desculpas entra em cena. E poucas coisas são tão prejudiciais ao desenvolvimento de um time de futebol quanto a terceirização da culpa. Após exibições desastrosas, as entrevistas coletivas tornaram-se um espetáculo à parte, quase um universo paralelo. Ouve-se falar sobre o gramado, sobre o calendário apertado, sobre o “sistema” que supostamente persegue o clube, sobre a arbitragem.

Sim, erros de arbitragem existem e existiram. Houve expulsões controversas, como a que deixou o Palmeiras com um homem a menos em um momento crucial. Houve gols anulados por impedimentos milimétricos, onde a interpretação de quem tocou na bola no meio do caminho gera debates intermináveis. Mas reduzir a análise de um jogo de 90 minutos a um erro do apito é uma desonestidade intelectual. Antes mesmo da polêmica expulsão contra o Cerro, o que o Palmeiras havia produzido de efetivo? Quase nada.

Aí entra a falácia do “volume de jogo”. O treinador vai à frente dos microfones e exalta o fato de o time ter finalizado 21 vezes na partida, classificando a atuação como “um jogo lindo”. Mas quem assiste à partida com os olhos abertos e a mente livre de fanatismos sabe que quantidade não é qualidade. Dessas mais de vinte finalizações, a esmagadora maioria são “chuveirinhos” aleatórios, chutes mascados de fora da área ou arremates abafados por uma parede de defensores. Não são jogadas construídas, triangulações envolventes ou chances claras geradas por mérito tático. Quando você ataca no desespero, cruzando bolas de qualquer parte do campo só para se livrar da posse, a probabilidade de converter isso em gol despenca de forma drástica. Confundir posse de bola estéril e cruzamentos frenéticos com “volume de jogo” é um erro de diagnóstico gravíssimo.

O caso de Flaco López é o microcosmo perfeito da teimosia que tomou conta do departamento de futebol do clube. Quando o argentino chegou, custando uma verdadeira fortuna (quase 10 milhões de euros), demorou a engrenar. Sofreu críticas pesadas, e a diretoria foi pressionada a buscar outro centroavante porque o garoto parecia não dar conta do recado. A comissão técnica insistia em tratá-lo como um centroavante fixo, um poste para brigar fisicamente com os zagueiros dentro da área. O detalhe irônico? Qualquer membro do departamento de scout que acompanhou o jogador no Lanús sabia que Flaco nunca foi esse tipo de jogador. Ele jogava solto, ao lado do inesgotável José Sand (este sim, o centroavante de ofício, mesmo passando dos 40 anos). Flaco era um segundo atacante, móvel, inteligente, que saía da área para flutuar nas entrelinhas.

Somente muito tempo depois, quase por um acidente de percurso e pela necessidade de acomodar outras peças do elenco, Flaco começou a jogar mais fora da área. E o que aconteceu? Ele começou a render. Mostrou que sabe dominar, pensar o jogo, criar espaços e surpreender vindo de trás. A pergunta que fica martelando a cabeça de quem acompanha futebol é: como uma comissão técnica de ponta demora tanto tempo para identificar as características naturais de um jogador tão caro? Por que tentar moldar o atleta à força dentro de um esquema rígido, em vez de adaptar o esquema para potencializar o que o atleta tem de melhor?

Essa postura expõe um traço muito marcante no trabalho atual do Palmeiras, uma espécie de inspiração “Mourinhista” de enxergar o jogo. É uma visão onde o controle, a imposição do sistema e a robustez defensiva vêm antes da fluidez e da criatividade. O problema é que, para adotar essa postura e ainda ser um time dominante que propõe o jogo (como a camisa e o investimento exigem), você precisa de peças muito específicas. E quando o esquema não flui, a insegurança toma conta de todos. O jogador, que já está improvisado ou sufocado em uma função que não é a sua, começa a errar lances bizarros. Gols feitos são desperdiçados debaixo da trave. Passes de dois metros saem pela lateral. O time transpira ansiedade porque a engrenagem, simplesmente, não gira.

É inevitável não olhar para o espelho retrovisor e sentir uma nostalgia latente do Palmeiras que assombrou o continente entre 2020 e 2022. Aquela equipe, sim, tinha uma identidade tática clara, uma plataforma de jogo que extraía o suco de cada jogador. Havia Gustavo Scarpa caindo pela esquerda, servindo quase como um falso nove de lado de campo. Havia Raphael Veiga entrando na área para finalizar com liberdade. Havia Rony, que mesmo não sendo um centroavante de origem, compensava com uma movimentação infernal, abrindo corredores para os companheiros. Havia Dudu rasgando pela direita. Havia um meio-campo magistralmente equilibrado com Danilo e Zé Rafael, onde cada um sabia exatamente o terreno que deveria pisar. Era um time compacto, que defendia com uma solidez assustadora (o famoso “zero gol”, a meta instransponível de Weverton) e atacava com um veneno letal. Era, para usar uma palavra da moda, um time sustentável.

Aquele trabalho evoluiu a partir de bases construídas e atingiu um ápice de excelência. Mas, de repente, por algum motivo que a razão desconhece, decidiu-se implodir essa plataforma que funcionava perfeitamente para adotar a atual estrutura hermética. Mudou-se o formato, abriu-se mão da complexidade no meio-campo para entulhar a defesa de zagueiros, e exigiu-se de alas e laterais (como Piquerez e Marcos Rocha) números de gols e assistências que eles historicamente nunca tiveram. O resultado é essa queda vertiginosa de desempenho. Não por acaso, os grandes títulos começam a ficar mais espaçados e distantes no retrovisor. O Campeonato Brasileiro de 2023 foi uma epopeia, sim, mas muito calcada na derrocada épica do Botafogo e na genialidade individual de Endrick na reta final. Não foi fruto de uma mecânica de jogo envolvente e soberana ao longo das 38 rodadas.

O momento atual é de encruzilhada. O futebol jogado é muito fraco, muito distante do que o investimento exige. E as desculpas já não colam mais. A torcida do Palmeiras, aquela parcela que mantém o senso crítico afiado e se recusa a bater palmas para o vazio, está com a paciência esgotada. Quando se cobra mudança, não é um clamor leviano por demissões ou queima de bruxas. É uma exigência profissional por prestação de contas. Se as coisas não estão funcionando, se o time cria pouquíssimo, se a defesa está exposta e se as improvisações beiram o ridículo, é obrigação de quem comanda reconhecer o erro, sentar na prancheta e buscar soluções reais. E soluções reais não significam reclamar do árbitro na coletiva de imprensa.

Com o calendário oferecendo pausas momentâneas, como as cobiçadas Datas FIFA, a comissão técnica ganha o bem mais precioso no futebol brasileiro: tempo. Embora muitos jogadores importantes sejam convocados e desfalquem os treinamentos na Academia de Futebol, este é o momento de oxigenar as ideias. É a hora de abandonar a teimosia dos três zagueiros inoperantes e voltar às raízes do que deu certo. Resgatar a memória tática de um time que sabia jogar com a bola, colocar os jogadores nos seus devidos quadrados e devolver a confiança a um grupo que parece atuar com pesos de chumbo nas chuteiras.

Se o Palmeiras insistir em ignorar o abismo, se continuar tratando críticas válidas como ataques de inimigos imaginários e se mantiver o discurso de que o “jogo foi lindo” enquanto a bola chora em campo, o preço a ser pago será altíssimo. A Libertadores não perdoa letargia, e o Campeonato Brasileiro não espera ninguém acordar de seu sono profundo. O clube tem a estrutura, o dinheiro e o elenco para amassar os adversários e ser o grande protagonista do continente. Mas, até lá, a única coisa que o Palmeiras vem conseguindo amassar, de forma constrangedora, é a paciência de quem ama o futebol bem jogado. E no futebol, quando a soberba impede a evolução, o fracasso se torna apenas uma questão de tempo.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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