“FOI PIOR DO QUE EU IMAGINAVA!” Palmeiras CHOCA após empate com o Cerro — e o que foi dito sobre Carlos Miguel deixa um ALERTA inquietante
O Alarme Soa no Allianz: A Teimosia Tática, o Apito Confuso e a Crise Sob as Traves do Palmeiras
O empate por 1 a 1 entre Palmeiras e Cerro Porteño, em pleno gramado do Allianz Parque, está longe de ser apenas um tropeço acidental em mais uma noite de Copa Libertadores. O resultado amargo, que esfriou os ânimos da torcida alviverde, é, na verdade, o sintoma mais recente e palpável de uma equipe que parece ter perdido a própria bússola. Se os torcedores do Flamengo foram dormir com a cabeça tranquila, certos de que a classificação para a próxima fase é uma realidade tangível, o palmeirense encostou a cabeça no travesseiro com uma dor de cabeça latejante, atormentado pelo futebol burocrático e pelas perspectivas nebulosas para o jogo de volta no Paraguai.

O momento do Palmeiras no período pós-Copa do Mundo é, inegavelmente, o mais delicado da temporada de 2026. A equipe que se acostumou a transformar sua casa em uma fortaleza inexpugnável agora flerta perigosamente com a mediocridade diante de sua própria torcida. Nas últimas quatro exibições como mandante, o saldo é preocupante: apenas uma vitória solitária contra o Fortaleza pela Copa do Brasil, seguida de uma derrota amarga para o Atlético Mineiro, um empate sem inspiração contra o Internacional e, agora, esse 1 a 1 com o Cerro Porteño. Para um time que vem de anos dividindo a hegemonia do futebol sul-americano com o Flamengo, perder pontos dessa forma em casa acende um sinal de alerta estridente. A superioridade técnica ainda existe no papel, mas no campo, a prática tem se mostrado um deserto de ideias.
O Labirinto Tático de Abel Ferreira e a Falácia dos Três Zagueiros
Para entender o que deu errado contra a equipe paraguaia, é preciso dissecar as escolhas de Abel Ferreira, que atravessa uma fase de teimosia tática que beira o inexplicável. O treinador optou, mais uma vez, por manter o sistema com três zagueiros, escalando Emiliano Martins, Barbosa e Murilo. O grande problema dessa formação não reside no esquema em si, mas nas peças escolhidas para executá-lo. No futebol moderno, jogar com uma trinca de defensores exige, obrigatoriamente, que ao menos um ou dois desses homens de trás tenham capacidade de construção. Eles precisam ser os primeiros armadores da equipe, capazes de dar o chamado “passe de ruptura”, aquele que quebra a linha de pressão adversária e acelera a transição ofensiva.
O Palmeiras não tem isso em sua atual linha defensiva. Murilo, Barbosa (que chegou do Botafogo) e Emiliano Martins são defensores físicos, exímios no jogo aéreo, implacáveis nos duelos individuais e excelentes para proteger a entrada da grande área. No entanto, com a bola no pé, a limitação é gritante. Nenhum deles tem a característica de um Léo Ortiz ou de um Léo Pereira, zagueiros que arrastam a bola, driblam a primeira linha de marcação e acham um passe vertical nas costas dos volantes rivais. Talvez apenas Gustavo Gómez possua esse cacoete de construtor, mas a formação utilizada contra o Cerro expôs uma ferida aberta: a saída de bola palestrina é lenta, previsível e engessada.
Durante o primeiro tempo, a mecânica de jogo foi um show de horrores. Para tentar iniciar as jogadas, o time invariavelmente precisava recuar Marlon. Formava-se ali uma linha de quatro jogadores (os três zagueiros mais o lateral/volante) trocando passes laterais, de forma inofensiva, contra um Cerro Porteño inteligente, armado por Ariel Holan, que se defendia com cinco homens no meio-campo. A matemática básica do futebol explica o fracasso dessa estratégia: se você aloca quatro jogadores na base da jogada para construir contra cinco marcadores, inevitavelmente faltará gente na frente para receber a bola em condições de perigo. O meio-campo esvaziado não conseguia criar, e o ataque ficava isolado.
Abel até tentou corrigir a rota no segundo tempo, promovendo a entrada de Artur e recuando Piquerez para compor uma linha defensiva mais tradicional, permitindo que a equipe ganhasse um construtor a mais e empurrasse os alas e meias para o campo de ataque. Contudo, o estrago dos primeiros 45 minutos já havia minado a confiança e o ritmo do time. O esquema com três zagueiros de ofício se provou não apenas ineficaz, mas completamente desnecessário para o contexto do jogo.
A Ilusão do Volume de Jogo: Vinte Finalizações e um Deserto de Criatividade
Muitos defensores da atuação palmeirense podem apontar para as estatísticas frias e dizer: “Mas o Palmeiras finalizou 20 vezes a gol!”. Essa é a armadilha do chamado “volume de jogo”. Ter a posse de bola e rondar a área adversária não significa, necessariamente, domínio efetivo ou superioridade criativa. Das duas dezenas de finalizações, a esmagadora maioria foi fruto do “abafa”, do desespero e da insistência em cruzamentos aleatórios ou chutes de longa distância, sem qualquer preparação ou triangulação prévia. Finalizar em quantidade é muito diferente de finalizar com qualidade.
O setor de criação esteve em uma noite particularmente infeliz. Andreas Pereira, que costuma ser o termômetro do time, fez uma partida muito abaixo de suas capacidades, errando domínios e passes que normalmente executa de olhos fechados. Flaco López, o homem de referência, percebeu o isolamento e tentou compensar saindo da área a todo instante para ser o próprio armador das jogadas, uma inversão de papéis que raramente funciona quando a defesa adversária está bem postada. Para piorar, Vitor Roque deixou claro que ainda não está fisicamente recuperado, arrastando-se em campo sem a explosão que o consagrou, evidenciando uma falta de ritmo que prejudica a profundidade do ataque palmeirense.
Do outro lado, o Cerro Porteño de Ariel Holan não se limitou a montar uma retranca covarde. Pelo contrário, os paraguaios mostraram coragem. Ousaram subir as linhas de marcação em diversos momentos, incomodaram a saída de bola defeituosa do Palmeiras e encaixaram contra-ataques venenosos. Ficou a nítida impressão de que, se o Cerro tivesse um elenco um pouco mais qualificado tecnicamente, teria ido para o vestiário no intervalo com uma vitória parcial e justa.
O Apito Confuso e a Varzea Sul-Americana
Se o futebol apresentado foi pobre, o espetáculo foi ainda mais manchado por uma arbitragem que exala o amadorismo endêmico do futebol sul-americano. O jogo foi marcado por decisões, no mínimo, controversas que impactaram diretamente o andamento da partida. A expulsão de Andreas Pereira foi classificada por muitos como um absurdo completo. Um exagero monumental, fruto daquele tipo de arbitragem artificial, picotada e histérica que destrói a dinâmica de qualquer jogo no continente.
Mas o lance que mais gerou discussões e dores de cabeça ocorreu no gol anulado do Cerro Porteño. A revisão do VAR, que deveria trazer luz aos lances capitais, trouxe apenas mais dúvidas. A imagem congelada mostrada na transmissão não convenceu absolutamente ninguém de que a bola já havia saído do pé do passador no exato momento em que o atacante se projetou. Foi uma linha traçada na base do achismo.
E a ruindade da arbitragem é tão profunda que, na mesma origem da jogada desse gol anulado, no início do contragolpe paraguaio, houve uma falta clara – um empurrão nas costas – de Barbosa em cima do atacante do Cerro, no limite da grande área. Ou seja, em um único lance, a equipe de arbitragem conseguiu empilhar erros sucessivos. O diagnóstico é claro: podem colocar chips na bola, dezenas de câmeras de vigilância espalhadas pelo teto do estádio e a tecnologia mais avançada da NASA; de nada adianta se o material humano responsável por interpretar os lances continua sendo de um nível técnico tão rasteiro. Eles estragam o espetáculo.
Carlos Miguel, a Insegurança Sob as Traves e o Apagão de Goleiros no Brasil
Por fim, é impossível analisar o momento de instabilidade do Palmeiras sem colocar uma lupa sobre a posição mais ingrata do futebol. Carlos Miguel falhou feio. E não foi a primeira vez nesta sequência negativa. Após o erro grotesco na derrota contra o Atlético Mineiro, o goleiro voltou a demonstrar uma insegurança assustadora no gol do Cerro Porteño, em um lance onde deveria ter dominado a situação e cortado a jogada, mas acabou se atrapalhando com as próprias pernas.
A contratação de Carlos Miguel parece ter sido fruto de uma aposta mal calculada. O grande sonho de consumo do Palmeiras para a posição era John, ex-Botafogo, que acabou optando por construir sua carreira no Nottingham Forest, na Europa. Com a frustração do negócio, a diretoria buscou um perfil físico semelhante: um goleiro de envergadura colossal e altura imponente. Mas o tamanho exagerado de Carlos Miguel traz um efeito colateral grave. Ele sofre demais em bolas rasteiras e chutes de média distância, demorando preciosos milissegundos para ir ao chão. Além disso, o aspecto mental parece estar esfacelado. O goleiro entra em campo transpirando medo de errar, e um camisa 1 inseguro contamina toda a linha defensiva. Quando os zagueiros olham para trás e não sentem confiança no homem que guarda a meta, eles passam a tomar decisões precipitadas, rebatendo bolas que poderiam ser dominadas e errando o tempo de cobertura.
A situação do Palmeiras é dramática porque o banco de reservas não oferece nenhum alento. Marcelo Lomba, o reserva imediato, já passou da marca dos 40 anos e, além da idade avançada, teve atuações desastrosas quando foi exigido na temporada passada. Não há um “Plano B” confiável, e o Palmeiras terá que fazer um trabalho psicológico intensivo para recuperar a cabeça de Carlos Miguel antes que a temporada vá para o ralo.
No entanto, o problema de Carlos Miguel expõe uma ferida muito maior e mais profunda que atinge todo o futebol brasileiro: a safra atual de goleiros é, indiscutivelmente, uma das mais fracas das últimas décadas. Hoje, quando olhamos para o cenário nacional, não enxergamos aquele “goleiraço” indiscutível, aquele nome que você crava com certeza absoluta como titular de uma Copa do Mundo.
O Brasil atravessa um apagão na posição. Fábio, do Fluminense, mesmo beirando os 45 anos de idade, continua sendo o arqueiro mais consistente e regular atuando no país, o que diz muito sobre o nível dos seus concorrentes. Nomes como Rafael (São Paulo) e Hugo são bons goleiros, mas oscilam demais em momentos de grande pressão.
Até mesmo na Seleção Brasileira, o panorama é nebuloso. O ciclo para a Copa se desenha com as mesmas peças do Mundial anterior: Alisson, Ederson e Weverton. O problema é que Ederson vive uma fase muito abaixo do que já demonstrou, e Alisson, embora ainda seja o mais técnico e preparado, não é uma unanimidade e levanta dúvidas em parte da crônica esportiva. Weverton já sente o peso da transição de geração.
Existem promessas e opções espalhadas pelo mercado, mas nenhuma realidade absoluta. Bento, após ficar de fora de listas finais e ir para o Al-Nassr, tentará provar que a Arábia Saudita não destruiu seu nível competitivo na temporada que se inicia. Na Europa, garotos como Luiz Júnior, no Villarreal, e Kauan, no Eintracht Frankfurt, mal entraram em campo e ainda não justificaram grandes expectativas. O futuro parece depender de jovens como Pedro Morisco, do Coritiba, que tem potencial enorme, mas precisa ser testado em um grande clube do eixo Rio-São Paulo para amadurecer. Léo Manete, que esteve na Granja Comary, é outra aposta, mas ainda precisa de “litragem” no futebol profissional.
Enquanto o Brasil busca um novo Dida, Taffarel ou Marcos, o Palmeiras precisa desesperadamente que Carlos Miguel encontre seu eixo. Abel Ferreira, por sua vez, precisa abandonar as convicções que não estão funcionando, largar a teimosia tática e fazer este time voltar a jogar o futebol que o consagrou. O jogo de volta no Paraguai não será apenas uma disputa por uma vaga na Libertadores, mas um verdadeiro teste de sobrevivência para o planejamento esportivo alviverde em 2026. A tempestade está armada no Allianz Parque, e resta saber quem terá a competência para segurar o leme.