EX-COVEIRO REVELA O MOTIVO ASSUSTADOR QUE O FEZ LARGAR O EMPREGO! | História de Terror e Relato Real
EX-COVEIRO REVELA O MOTIVO ASSUSTADOR QUE O FEZ LARGAR O EMPREGO! | História de Terror e Relato Real

Há mais de trinta anos, abandonei meu trabalho como coveiro. Durante muito tempo, quando alguém perguntava por que eu havia deixado um emprego estável, eu inventava uma desculpa qualquer. Dizia que estava cansado, que queria procurar outra profissão. Nunca contei a verdadeira razão. Meu nome é José Carlos e, hoje, aos setenta e cinco anos, ainda evito passar diante do cemitério São Pedro, em Uberlândia. Algumas lembranças não envelhecem. Elas apenas aprendem a ficar escondidas, esperando o momento de voltar.
Quando comecei a trabalhar ali, eu não tinha medo dos mortos. Precisava sustentar minha família e aquele emprego, com carteira assinada, parecia uma oportunidade segura. Eu costumava dizer aos colegas: “Morto não faz mal a ninguém. O perigo está nos vivos.” A frase virou quase um lema. Eu cuidava das sepulturas, ajudava nos enterros, limpava os corredores, cortava o mato e reforçava túmulos danificados. Era trabalho pesado, mas honesto, e eu conhecia cada canto daquele lugar.
O São Pedro era antigo e silencioso. Havia fileiras de árvores altas, lápides gastas e caminhos de terra que pareciam guardar histórias de muitas famílias. No fim das tardes, quando os visitantes iam embora, o silêncio ficava diferente. O vento passava entre os galhos e produzia um som parecido com sussurros. Foi nessa hora que comecei a ouvir passos.
No início, achei que fossem gatos, cachorros ou folhas arrastadas pelo vento. Mas aqueles passos tinham ritmo. Eram pesados, firmes, como botas caminhando sobre a terra. Eu escutava um, dois, três passos, depois silêncio. Pouco depois, o som surgia em outro corredor. Algumas vezes, um vulto parecia atravessar a distância entre duas sepulturas. Quando eu me aproximava, não encontrava ninguém.
Meus colegas riam quando eu comentava alguma coisa. Diziam que eu passava tempo demais entre os mortos e estava imaginando histórias. Eu também ria, para não parecer preocupado. No entanto, dentro de mim, crescia uma certeza desconfortável: havia alguma coisa errada.
Certa tarde, durante minha ronda, ouvi uma voz grave atrás de mim. Foi baixa, quase um murmúrio, mas tão próxima que senti um arrepio percorrer o corpo. Chamava meu nome.
“José.”
Virei imediatamente. Não havia ninguém. O corredor estava vazio. Olhei atrás das árvores, entre as lápides, perto do portão. Nada. Continuei trabalhando, mas nunca mais consegui ignorar aquela voz.
Os acontecimentos se repetiram. Às vezes eu encontrava marcas profundas de botas na terra, embora o portão estivesse fechado e não houvesse visitantes. Em outras ocasiões, apareciam velas novas sobre sepulturas esquecidas. Eu não sabia quem as acendia. Não havia razão para alguém entrar escondido, e mesmo assim aquelas velas estavam ali.
A sensação de estar sendo observado também ficou mais forte. Quando eu trabalhava sozinho, sentia uma presença atrás de mim. O ar parecia pesado e, por alguns segundos, ficava difícil respirar. Certa vez, enquanto guardava as ferramentas no depósito, senti alguém parado tão perto que não tive coragem de me virar. Ouvi uma respiração forte junto ao ouvido. Fechei os olhos e fiz uma oração. Quando finalmente olhei para trás, só havia pás e enxadas encostadas na parede.
Em casa, minha esposa percebeu que eu estava diferente. Eu dormia mal, acordava assustado e passava as noites inquieto. Quando ela perguntava o que estava acontecendo, eu dizia que era apenas cansaço. Não queria levá-la para dentro daquele medo.
Então veio o episódio que mudou tudo.
O administrador do cemitério me chamou para verificar uma sepultura antiga que havia cedido depois de muita chuva. Era preciso reforçar a estrutura antes que o túmulo desabasse. Quando ouvi a localização, senti um aperto no peito. Ficava na parte mais isolada do São Pedro, justamente onde eu costumava ouvir os passos.
Peguei a pá, a enxada, uma alavanca e uma lanterna. Caminhei até lá tentando manter a calma. A sepultura era simples, antiga, com rachaduras nas laterais e uma lápide cujo nome quase desaparecera. Comecei a remover a terra. Depois de algum tempo, minha ferramenta bateu em madeira.
Era um caixão.
A tampa estava escura e carcomida, mas ainda reconhecível. Forcei a madeira com a alavanca. Quando consegui abri-la, senti as pernas perderem a força.
O caixão estava vazio.
Não havia corpo, ossos, roupas ou qualquer sinal de restos humanos. Havia apenas terra úmida e poeira. Mas o que mais me assustou foram as marcas na parte interna da tampa. Eram riscos profundos e compridos, como se dedos ou unhas tivessem tentado rasgar a madeira de dentro para fora.
Fiquei imóvel. Procurei uma explicação, mas nenhuma fazia sentido. Eu trabalhava naquele lugar havia tempo suficiente para saber que um caixão antigo poderia se deteriorar, mas aquilo era diferente. Não havia restos, nem sinais claros de violação recente.
Fechei a tampa, cobri novamente a sepultura e saí dali o mais rápido que consegui.
Naquela noite, o sono não veio. Quando finalmente adormeci, sonhei com o caixão vazio. Uma voz rouca repetia a mesma frase: “Você mexeu onde não devia.”
Acordei assustado com três batidas na janela. Esperei alguns segundos. Vieram novamente, lentas e ritmadas. Minha esposa continuava dormindo. Criei coragem para olhar, mas não havia ninguém do lado de fora.
Depois disso, minha casa também pareceu mudar. Portas batiam sem explicação, as luzes oscilavam e, algumas noites, o quarto ficava inexplicavelmente frio. Eu acordava com a sensação de que havia alguém no canto escuro.
Certa noite, vi uma silhueta parada junto à porta do quarto. Era alta e magra. Permanecia completamente imóvel, como o homem que eu já tinha visto no cemitério. Tentei gritar, mas a voz não saiu. Fechei os olhos por instinto. Quando abri novamente, a figura havia desaparecido.
Mesmo assim, voltei ao trabalho. Eu precisava do salário e ainda tentava convencer a mim mesmo de que tudo poderia ter uma explicação. Talvez fosse cansaço, medo ou alguma doença causada pela falta de sono. Mas, ao entrar no São Pedro, meu corpo reagia antes da minha razão.
Passei novamente diante da sepultura vazia. Um vento forte atravessou as árvores, trazendo um cheiro estranho, adocicado e desagradável. Então ouvi uma voz junto ao meu ouvido:
“Agora você já sabe.”
Não vi ninguém.
Foi quando compreendi que não conseguiria continuar.
Ainda assim, demorei a tomar a decisão. Eu tinha família, contas e responsabilidades. Não era simples abandonar um emprego fixo por causa de algo que ninguém mais conseguia ver. Resolvi suportar mais um pouco.
A escolha quase me custou caro.
Durante uma ronda, ouvi os passos atrás de mim. Dessa vez, não desapareceram. Quando me virei, vi o homem no corredor central. Alto, magro, vestido com um casaco escuro. Estava parado a poucos metros, olhando diretamente para mim.
Perguntei quem ele era.
Nenhuma resposta.
Dei alguns passos em sua direção. Quanto mais me aproximava, mais pesado parecia o ar. Então ele falou, com uma voz profunda e arrastada:
“Agora é sua vez, José.”
Pisquei. Ele havia desaparecido.
Não pensei mais. Corri até o portão, saí sem sequer conferir se tudo estava fechado e fui para casa. Naquela noite, chorei sentado na cama. Não era vergonha. Era medo. Eu finalmente reconhecia que tinha chegado ao meu limite.
No dia seguinte, voltei apenas para entregar meu pedido de demissão. O administrador tentou me convencer a ficar. Disse que eu era um funcionário dedicado e que talvez estivesse passando por uma fase difícil. Agradeci, mas minha decisão estava tomada. Peguei minhas coisas e nunca mais trabalhei no São Pedro.
Muita gente nunca entendeu. Alguns imaginaram que eu simplesmente havia encontrado uma oportunidade melhor. Outros acharam que eu estava cansado do serviço. Eu deixei que pensassem assim. Não queria transformar minha família em motivo de conversa na vizinhança.
Hoje, depois de tantos anos, ainda me lembro de cada detalhe. Não gosto de passar perto do cemitério. Quando o fim da tarde chega e o vento sopra naquela direção, às vezes tenho a impressão de ouvir passos arrastados sobre a terra.
Não sei quem era aquele homem. Não sei por que o caixão estava vazio, nem quem deixou aquelas velas. Também não sei o que significavam aquelas palavras.
Só sei que, naquele lugar, alguma coisa me chamou pelo nome.
E algumas coisas, quando nos encontram uma vez, deixam marcas que o tempo não consegue apagar.
Durante anos, tentei esquecer tudo isso. Consegui trabalhar em outras coisas, reconstruir minha rotina e cuidar dos meus filhos, mas certas lembranças não obedecem à vontade da gente. Quando alguém fala sobre cemitérios, meu peito aperta. Quando ouço uma porta bater, acordo imediatamente. Talvez exista uma explicação para tudo. Talvez o medo, o cansaço e a imaginação tenham transformado acontecimentos comuns em algo maior. Eu gostaria de acreditar nisso.
Mas existe uma lembrança que nunca consegui explicar: a voz. Não era parecida com nenhuma voz que eu conhecesse, e ainda hoje reconheço seu tom. Às vezes penso que, se tivesse ignorado aquele túmulo, minha vida teria seguido normalmente. Outras vezes, penso que talvez alguém estivesse esperando por mim.
Aprendi que coragem também significa reconhecer quando é hora de partir. Não sei o que havia naquele caixão. Só sei que, depois de abri-lo, nunca mais fui o mesmo homem.