O TÚMULO DA FAMÍLIA FONSECA… DESDE 1974, ALGO ALI NÃO DESCANSA!

O TÚMULO DA FAMÍLIA FONSECA… DESDE 1974, ALGO ALI NÃO DESCANSA!

Meu nome é Roberto Silva, tenho 52 anos e trabalho como coveiro no Cemitério Municipal de Maringá, no interior do Paraná, há quase três décadas. Aprendi a conviver com a morte como quem aprende a conviver com a chuva: ela chega, faz parte da rotina e, depois, passa. Já enterrei ricos e pobres, idosos, jovens e crianças. Mas existe um lugar que nunca consegui tratar como apenas parte do meu trabalho: o jazigo da família Fonseca, na área Q, lote 13.

É um túmulo antigo, de mármore cinza, marcado pelo tempo. Na porta estão gravados sete nomes. Todos morreram em setembro de 1974, com poucos dias de diferença. Quando comecei a trabalhar no cemitério, em 1997, o funcionário mais antigo, seu Mário, me mostrou cada canto do lugar. Ao chegarmos diante do jazigo, ele parou.

“Roberto, se puder evitar este lugar, evite. E, se precisar vir, nunca fique sozinho.”

Achei que fosse superstição. Seu Mário, porém, não sorriu. Ele tinha apenas 23 anos quando participou dos sete enterros. Primeiro morreram três crianças: uma menina de doze anos, um menino de nove e o caçula, de sete. O diagnóstico oficial falou em intoxicação alimentar. Depois, a avó sofreu um ataque cardíaco repentino. Uma semana mais tarde, a mãe foi encontrada morta na banheira, tratada como acidente. Dois dias depois, o tio morreu ao cair de uma escada. Por fim, Augusto Fonseca, o pai, foi encontrado enforcado.

Sete mortes em menos de um mês. A família inteira enterrada no mesmo jazigo.

Seu Mário nunca esqueceu o enterro das crianças. Contou que chorou diante daqueles três pequenos caixões. Mas o que realmente o marcou aconteceu depois do funeral de Augusto. Quando os homens terminaram de fechar o jazigo, todos ouviram alguma coisa vindo de dentro. Eram vozes infantis, misturadas a uma risada curta e a uma voz masculina. Seis homens estavam ali. Todos ouviram. Um coveiro largou as ferramentas e correu. O padre também ouviu e nunca mais voltou ao cemitério.

Durante anos, pensei que aquilo fosse apenas uma história antiga. Até 1999.

Eu cortava a grama perto do jazigo numa manhã quente, quando escutei crianças sussurrando. Pareciam conversar e rir atrás da porta de mármore. O cemitério estava vazio naquela área. Aproximei-me. Quanto mais chegava perto, mais claras ficavam as vozes. Quando encostei a mão na porta, tudo parou.

Naquele instante, senti uma pressão terrível no peito. Não parecia falta de ar. Era como se algo apertasse minhas costelas por dentro. Olhei para o chão e vi um círculo perfeito de grama queimada. Não havia cinza, fumaça ou qualquer sinal de fogo.

Procurei seu Mário. Ele apenas respondeu:

“Bem-vindo ao clube.”

Outros funcionários tinham histórias parecidas. Dona Aparecida, que trabalhou como zeladora de 1982 a 1998, me contou uma experiência de 1989. No fim de uma tarde, encontrou a porta do jazigo entreaberta, embora estivesse lacrada havia anos. Ao se aproximar, ouviu crianças cantando uma antiga cantiga de roda. Olhou pela fresta e desmaiou.

Quando acordou no hospital, contou que tinha visto sombras sentadas dentro do túmulo. Pareciam pessoas, mas não tinham rostos. Uma delas levantou a mão, como se a chamasse para entrar. Depois daquele dia, dona Aparecida nunca mais conseguiu voltar ao cemitério.

Josué, outro antigo coveiro, também viveu algo estranho. Em 1995, cavava uma sepultura próxima ao jazigo quando sentiu uma pressão no peito, frio intenso e uma náusea súbita. Caiu de joelhos, vomitou e perdeu os sentidos. Quando acordou, estava dentro da própria cova, sem lembrar como havia chegado lá. Passou três dias com febre. Os exames não encontraram doença alguma.

Eu ainda tentava acreditar que tudo podia ter uma explicação. Talvez medo. Talvez coincidência. Talvez histórias que, repetidas durante décadas, acabam parecendo verdade.

Então, em 2007, aconteceu comigo novamente.

Eu fazia manutenção nas grades de ferro do jazigo, em pleno meio-dia, quando toquei no metal e senti uma tontura violenta. Por alguns segundos, perdi a noção do lugar. Vi uma mesa antiga, de madeira escura, cercada por vultos. Havia crianças sentadas. Uma delas mantinha a cabeça inclinada de maneira impossível e parecia me observar. Então ouvi uma voz chamando meu nome.

Voltei a mim caído a cerca de vinte metros do túmulo. Um colega me encontrou. Passei o resto do dia com dor de cabeça e uma sensação de medo que não conseguia explicar.

Depois disso, comecei a investigar a família Fonseca.

Em jornais antigos e conversas com moradores mais velhos, encontrei uma história diferente da versão oficial. Augusto Fonseca participava de um grupo espiritualista fechado. Segundo relatos, acreditava que a morte poderia conduzir uma família inteira a um plano superior. Para ele, a família precisava partir junta. As mortes não teriam sido acidentes independentes, mas parte de um ritual doentio.

Vizinhos diziam ter ouvido cânticos, gritos e conversas estranhas na casa dos Fonseca nas semanas anteriores. Augusto falava sobre unir a família para sempre. Na época, porém, a investigação foi encerrada rapidamente. A família tinha dinheiro e prestígio, e o caso acabou registrado como acidentes e suicídio.

A descoberta não trouxe alívio. Pelo contrário. Comecei a pensar que, se Augusto realmente provocara aquelas mortes, talvez algo tivesse dado errado no fim. Talvez o ritual nunca tivesse terminado.

Em 15 de novembro de 2023, recebi uma tarefa que ninguém queria aceitar: inspecionar a estrutura do jazigo. O serviço pagava um extra. Eu precisava do dinheiro e aceitei.

Cheguei às seis da manhã. Na porta de mármore havia desenhos infantis feitos com uma substância escura: uma casa, uma árvore e sete figuras de mãos dadas. Pareciam recentes. Tentei limpar, mas não consegui.

Poucas horas depois, ouvi novamente as vozes. Encostei o ouvido na porta. O silêncio veio primeiro. Então uma voz baixinha sussurrou:

“Oi.”

Dei um passo para trás. Meu coração disparou. Antes que pudesse reagir, veio a náusea. Caí de joelhos, tremendo, e desmaiei.

Acordei horas depois, a dez metros do jazigo. Passei cinco dias com febre e perdi seis quilos. Os exames médicos não apontaram nenhuma doença.

Foi quando percebi que precisava aceitar uma verdade simples: eu não sabia explicar o que acontecia ali.

Depois daquele episódio, a história se espalhou. Visitantes começaram a procurar o jazigo. Alguns não sentiam nada. Outros passavam mal. Uma jovem, em 2024, chegou com amigos para gravar um vídeo sobre lugares assombrados. Todos brincavam, menos ela. Em poucos minutos começou a chorar e disse que ouvia alguém chamando seu nome. Um fotógrafo também tentou registrar o túmulo. As fotografias feitas ali saíram completamente pretas, embora sua câmera funcionasse normalmente em outros pontos do cemitério.

Ainda assim, nem todos sentem alguma coisa. Estudantes de história passaram horas na área Q pesquisando e não perceberam nada incomum.

Talvez seja psicológico. Talvez o medo faça nosso cérebro criar aquilo que esperamos encontrar. Talvez exista uma explicação física para cada sensação. Eu gostaria de acreditar nisso.

Mas então, na semana passada, vi novamente os desenhos na porta.

Desta vez havia oito figuras.

As sete primeiras continuavam de mãos dadas. A oitava estava separada, voltada para fora do círculo. Não parecia uma criança. Tinha o formato de um adulto e estava desenhada exatamente na posição em que eu havia acordado no chão, depois de desmaiar em 2023. As mãos estavam estendidas na minha direção.

Tentei apagar o desenho. Não saiu.

No dia seguinte, continuava lá.

Hoje ainda trabalho no cemitério. Passo pelo jazigo quase todos os dias. Às vezes não sinto nada. Em outras, aquele velho aperto volta ao peito.

Tenho 52 anos e aprendi que algumas perguntas não encontram resposta. Talvez dentro daquele túmulo existam apenas sete corpos, silenciosos há mais de cinquenta anos. Talvez exista algo que não compreendemos.

Eu não sei.

Só sei que, quando passo pela área Q, nunca fico muito tempo olhando para a porta de mármore.

Porque algumas histórias terminam quando os mortos são enterrados.

A dos Fonseca parece ter começado ali.

Seu Mário morreu depois de se aposentar, mas antes disso me deixou conselho que guardo até hoje. Disse que trabalhar entre túmulos ensina duas coisas: respeitar os mortos e não desafiar aquilo que não entendemos. Durante muito tempo achei que ele estivesse falando apenas da profissão. Hoje penso diferente.

Nunca contei tudo o que vi para minha família. Esposa sabe que existe um túmulo que prefiro evitar, mas não conhece os detalhes. Não quero transformar minha casa em extensão de lá. Há coisas que ficam melhor enterradas, ainda que algumas lembranças insistam em voltar.

Também não digo aos visitantes que o jazigo é assombrado. Seria fácil alimentar a curiosidade, agora que histórias assim atraem vídeos e seguidores. Quando alguém me pergunta, respondo apenas que ali existe uma história triste e que devemos respeitá-la.

Talvez seja justamente esse o maior ensinamento. Não importa se há fantasmas, coincidências ou apenas medo. Sete pessoas morreram de maneira terrível, e uma família foi destruída. Isso deveria ser suficiente para despertar respeito.

Por isso, continuo fazendo meu trabalho em silêncio. Cuido das sepulturas, converso com colegas e sigo minha rotina. Só evito a área Q quando posso. E, quando não posso, nunca vou sozinho.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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