A Madrasta Dela a Usava Como Empregada Até Que Um Comendador da Cidade a Levou Para Dar Boa Vida…
A Madrasta Dela a Usava Como Empregada Até Que Um Comendador da Cidade a Levou Para Dar Boa Vida… 
Na opulenta, mais sombria casa grande da fazenda Florescer, no interior do Rio de Janeiro do século XIX, a vida de Isabel era um fardo. Órfan de mãe e com um pai ausente, a jovem de beleza simples era tratada como uma serva pela madrasta dona Carlota, e as suas duas filhas, Amélia e Eugénia.
Enquanto as irmãs desfilavam em sedas e rindas, Isabel vestia trapos. as suas mãos delicadas calejadas pelo trabalho incessante. “Isabel, o chão não se vai limpar sozinho”, vciferava a dona Carlota com um leque de penas de pavão a abanar o seu rosto rubro. Os seus olhos, antes doces para o falecido marido, eram agora puro veneno para a ente e veja se não estraga a cera, sua inútil.
Não temos dinheiro para desperdiçar com os seus deslechos. Isabel, ajoelhada no pátio de pedras, esfregava com afinco o chão, o suor escorrendo pela sua testa. O sol a castigava, mas a dor no seu coração era maior que o ardor na pele. Ela se recordava a mãe, a dona Clara, uma mulher doce e gentil que tinha morrido cedo, deixando-a à mercê da crueldade da madrasta.
O seu pai, o coronel Almeida, um homem bom, mas fraco, partira para a corte, prometendo regressar, mas as cartas tornaram-se raras e as esperanças de Isabel cada vez mais ténuis. “Mamã, olha para ela. Parece um bicho.” Gozava Amélia, a mais velha das irmãs, enquanto passava com um vestido novo, rindo da desgraça de Isabel. Quem a visse diria que é uma escrava e não a filha do coronel.
Isabel apertava os lábios, engolindo a humilhação. Ela não tinha voz, não tinha direitos, era apenas a enjeitada, a que não pertencia, a que servia. O seu único consolo eram as histórias que a velha mucama Benedita, contava-lhe sobre a sua mãe, sobre a bondade da dona Clara e sobre um segredo guardado as sete chaves pelo coronel Almeida.
Nesse mesmo dia, um burburinho tomou conta da quinta. Uma comitiva luxuosa se aproximava. Cavalos garbosos e carruagens reluzentes. Era o comendador Augusto Valença, um homem de posses e influência na corte, conhecido pela sua perspicácia e pelo seu olhar apurado para os negócios e para as pessoas.
Ele vinha à Fazenda a convite do Coronel Almeida para tratar de assuntos de terras e heranças. A Dona Carlota, ao saber da chegada do comendador, entrou em polvorosa. Améria, Eugénia, depressa, vistam os vossos melhores trages. O Comador Valença é um partido e tanto. Não podemos perder esta oportunidade. Isabel, ainda no pátio, viu a carruagem parar.
O comendador desceu, um homem alto, de porte elegante, com um olhar penetrante que parecia ver a alma das pessoas. Os seus olhos varreram o pátio e pararam em Isabel, ajoelhada, suja, mas com uma aura de dignidade que não passava despercebida. A Dona Carlota, percebendo o olhar do comendador, correu para disfarçar. Ah, comendador, que honra tê-lo na nossa humilde morada.
Esta é apenas uma das as nossas criadas, muito zelosa, não é mesmo, Isabel? Isabel levantou os olhos, encontrando o olhar do comendador. Havia curiosidade, mas também uma ponta de compaixão. Ela sentiu um arrepio, uma esperança que há muito não sentia. O comendador, por sua vez, sentiu algo estranho.
Aquela criada tinha os mesmos olhos da dona Clara, a falecida esposa do coronel Almeida, sua velha amiga. “Comendador Valença. É um prazer.” A voz de Isabel era baixa, mas firme. “Sou Isabel, filha do coronel Almeida”. Dona Carlotau. O comendador sorriu, um sorriso enigmático. Isabel, o nome é-me familiar. E os olhos? Os olhos da sua mãe.
Ele virou-se para a dona Carlota, o seu sorriso desaparecendo. Dona Carlota, creio que temos muito a conversar e, se me permite, gostaria de saber mais sobre a zelosa criada que a senhora mantém em sua casa. Há algo nesta história que não me parece certo. O comendador tinha chegado e com ele a promessa de uma reviravolta que mudaria para sempre o destino da enjeitada Isabel.
A chegada do comendador Augusto Valença à quinta florescer tornou-se a rotina da Casagre de cabeça para baixo. Dona Carlota, antesora absoluta, via-se agora sob o escrutínio de um homem influente e perspicaz. O olhar do comendador sobre Isabel não lhe saía da cabeça, e a forma como tinha questionado o tratamento dado à entiada deixava-a em alerta.
Comendador, por favor, não dê ouvidos às lamúrias desta menina. A Isabel sempre foi difícil e algo ingrata. Tentou a dona Carlota durante o jantar, enquanto Isabel servia à mesa, evitando o olhar de todos. Augusto sorriu educadamente. Dona Carlotta, a beleza de uma quinta não está apenas nas suas plantações, mas também na harmonia dos seus moradores.
E a jovem Isabel parece-me ter uma beleza singular que a senhora talvez não tenha tido tempo para apreciar. As palavras do comendador eram um golpe velado e a dona Carlota sentiu o rubor subir-lhe ao rosto. Amélia e Eugénia, que esperavam fisgar o comendador, observavam a cena com inveja.
Isabel, por sua vez, sentia um calor estranho no peito. Pela primeira vez em anos, alguém a defendia. Nos dias seguintes, Augusto Valença, com a desculpa de inspeccionar as terras da quinta, começou a sua própria investigação. Ele conversava com os escravos mais velhos, com os agregados, com a velha mucama benedita. E todas as histórias convergiam para um ponto, a bondade da dona Clara, a mãe da Isabel, e a crueldade crescente da dona Carlota após a morte desta.
Assim, a Clara era um anjo comendador”, contou Benedita, os olhos marejados. E a menina Isabel é a cara dela. Mas a dona Carlota, ah, essa depois nunca gostou da menina, sempre quis o coronel só para ela e para as filhas dela e a herança, claro. Augusto Valença também descobriu que o coronel Almeida, antes de partir para a corte, tinha deixado uma carta selada a ser entregue a Isabel no seu 18º aniversário.
Uma carta que a dona Carlota havia interceptado e escondido. O comendador sentiu que estava perto de desvendar um grande segredo. Entretanto, a tensão na Casa Grande aumentava. Dona Carlotta, apercebendo-se que o comendador estava a se aproximando-se de Isabel, intensificou a sua crueldade.
Ela obrigava-a a trabalhar até à exaustão, a dormir no chão da cozinha, a comer as sobras, tudo para humilhá-la e afastá-la do comendador. Acha que um homem como o comendador Valença vai querer uma serva suja como você? Gozava a dona Carlota. E ele está apenas a divertir-se, Isabel. Logo ele irá embora e voltará para o seu lugar no lixo.
Isabel, apesar das humilhações, sentia uma força nova. As palavras de Augusto, o seu olhar de compaixão, as histórias de Benedita, tudo a fazia acreditar que havia algo mais na sua vida. Ela sabia que a carta do seu pai era importante e que a dona Carlota a tinha escondido. Uma noite, enquanto todos dormiam, Isabel, guiada pela Benedita, conseguiu entrar no escritório do Coronel Almeida.
Elas sabiam que a carta estava ali, escondida em algum lugar. E após horas de busca, A Benedita encontrou um compartimento secreto atrás de um quadro e dentro dele uma caixa de madeira. Dentro da caixa havia um pequeno cofre e dentro do cofre a carta selada e um medalhão com a foto da sua mãe.
Isabel abriu a carta, as mãos a tremer. A caligrafia do seu pai era familiar, mas as palavras as palavras eram um choque. A carta revelava que o coronel Almeida se tinha casado com a dona Clara em segredo antes de casar com a dona Carlota. Isabel era a verdadeira senhora da quinta florescer e a fortuna da sua mãe estava esperando por ela.
Mas como revelar a verdade sem colocar a sua vida em risco? A Dona Carlota era perigosa e o comendador Valença, embora bondoso, era um estranho. Isabel sabia que tinha de agir com cautela. A batalha, pela sua herança e pela sua dignidade, estava apenas começando. Isabel guardou a carta do seu pai e o medalhão com a foto da sua mãe, como os tesouros mais preciosos.
A verdade era um fardo pesado, mas também uma força que a impulsionava. Ela já não era a injeitada, a serva humilhada, era a legítima herdeira da quinta florescer e de uma fortuna em diamantes. Mas como revelar tudo sem provocar a fúria da dona Carlota? O comendador Augusto Valença, que havia notou a mudança no semblante de Isabel, procurou-a.
Isabel, sinto que há algo que a aflige. Se precisar de ajuda, saiba que pode contar comigo. Seus olhos, fazem-me lembrar muito os da dona Clara, uma mulher de grande força e sabedoria. Isabel, sentindo a sinceridade nas palavras do comendador, decidiu confiar nele. Ela contou-lhe sobre a carta, sobre o casamento secreto dos seus pais, sobre a herança e sobre a fortuna em diamantes.
Augusto ouviu tudo com atenção, os seus olhos brilhando com um misto de surpresa e admiração. “Eu sabia”, exclamou Augusto. “Havia algo de muito errado nesta casa”. A Dona Carlota é uma impostora e as suas filhas não têm direito a nada. Precisamos de agir com cautela, Isabel. A ambição da dona A Carlota não tem limites.
Juntos eles traçaram um plano. O comendador Augusto Valença conseguiu agendar uma audiência com o juiz de órfã da província. A ideia era revelar a verdade de forma jurídica, com provas irrefutáveis, para que a dona Carlota não tinha como reagir. No dia marcado, a casa grande estava empolvorosa. Dona Carlota, Amélia e Eugénia estavam radiantes, acreditando que o comendador Valença tinha vindo para anunciar um casamento com uma de suas filhas.
Elas tinham preparado um banquete e convidou toda a sociedade local. Isabel, como sempre, estava na cozinha a preparar os petiscos, mas com um brilho diferente nos olhos. Quando todos estavam reunidos na sala principal, o comendador Augusto Valença se levantou. Meus caros amigos, tenham um anúncio importante a fazer. Não se trata de um casamento, mas de uma questão de justiça e de herança.
Um silêncio tenso pairava sobre a sala. Dona A Carlota, com um sorriso forçado, tentou disfarçar a sua irritação. Comendador, não entendo que herança é esta? A herança da fazenda florescer, dona Carlota, e de uma fortuna em diamantes. Augusto olhou diretamente a ela, que por direito pertence a Isabel, a legítima herdeira do coronel Almeida e da dona Clara.
Um burburinho tomou conta da sala. Dona Carlota empaleceu. Amélia e Eugénia se entreolharam chocadas. Isabel, que havia entrado na sala, estava ao lado do comendador com a carta de seu pai em mãos. Isso é mentira, gritou a dona Carlota, com a voz esgançada. Essa serva está a inventar tudo. Ela não passa de uma impostora.
As provas dizem o contrário, a dona Carlota, disse o Augusto, entregando a carta ao juiz das órfãs, que leu-a em voz alta. A carta revelava o casamento secreto do Coronel Almeida com dona Clara, a verdadeira data do matrimónio e a declaração de Isabel como a única herdeira. Além disso, mencionava a fortuna em diamantes escondida na quinta, um segredo que só a dona Clara e o coronel Almeida conheciam.
O juiz de órfãs, depois de analisar a carta e o medalhão com a foto da dona Clara, que Isabel também apresentou, não teve dúvidas. A quinta florescer e toda a fortuna pertencem a Isabel. Dona Carlota, a senhora e as suas filhas, deverão deixar esta propriedade imediatamente. A Dona Carlota, a Amélia e a Eugénia foram expulsas da fazenda, humilhadas e desprovidas de tudo.
Isabel, a injeitada, a serva, era agora a senhora da quinta a florescer. Ela não só herdou a fortuna da mãe, mas também encontrou os diamantes escondidos, tornando-se uma das mulheres mais ricas e influentes do império. Isabel, com a ajuda do comendador Augusto Valença, transformou a quinta florescer num modelo de justiça social.
Ela libertou os escravos, ofereceu-lhes terras e trabalho digno e construiu escolas e hospitais para a comunidade. O comendador, que se tinha apaixonado pela força e bondade de Isabel, pediu-lhe a casamento. Casaram e a união de as suas famílias trouxe ainda mais prosperidade e influência. A história de Isabel, a injeitada, que se tornou baronesa, espalhou-se por todo o império.
Ela tornou-se um símbolo de esperança e justiça, provando que a verdadeira nobreza não está no sangue, mas no carácter, na coragem e na capacidade de transformar a própria história e que, mesmo nas maiores adversidades, a verdade encontra sempre um caminho para triunfar.