O TÚMULO DA MENINA DO LAÇO… E O QUE ELA AINDA PROCURAVA! | História de Terror Real 

O TÚMULO DA MENINA DO LAÇO… E O QUE ELA AINDA PROCURAVA! | História de Terror Real

O meu nome é Roberto Ferreira, tenho 47 anos e trabalho como coveiro no cemitério municipal de São Vicente a 18 de anos. Eu sei que muita gente tem medo de cemitério, acha um local assustador, mas para mim sempre foi apenas o meu trabalho, sabe? Um trabalho como outro qualquer. [música] Durante este tempo todo, a trabalhar aqui, já vi muita coisa.

 Já participei em centenas de enterros, já conheci milhares de histórias tristes de famílias que perderam alguém, mas têm uma história em particular que nunca vou esquecer. E é sobre ela que vim aqui falar hoje. Tudo começou quando eu entrei para trabalhar aqui em 2006. Tinha 29 anos na altura, era novo ainda, cheio de energia.

 No meu primeiro dia, o senhor Joaquim, que já trabalhava aqui há cerca de 40 anos, levou-me para conhecer todo o cemitério. A gente foi andando setor a setor e ele ia-me explicando como funcionava cada coisa. Quando chegamos ao setor C, que é uma das zonas mais antigas do cemitério, ele mostrou-me os túmulos de lá.

 A maioria era muito velhinha, dos anos 60 e 70. Tinha muito túmulo sem família, abandonado, cheio de mato. O meu trabalho ia ser cuidar dessas áreas também. Eu Parei em frente daquele túmulo e fiquei olhando. Uma criança de 7 anos, morta em 1970, já tinha mais de 35 anos na altura. Não tinha foto, não tinha enfeite, não tinha nada, apenas a lápide simples e a erva ao redor.

 Senhor Joaquim, este túmulo aqui tem família que visita? Eu perguntei. Ele olhou para o túmulo e abanou a cabeça. Não, há muitos anos que não vejo ninguém por aqui. A família deve ter morrido ou mudado de cidade. Acontece muito com o túmulo antigo. Eu ia fazer outra pergunta, mas ele interrompeu-me. Roberto, vamos seguir. Tem muito para ver ainda. E nós continuámos a visita.

Mas reparei numa coisa estranha. Quando estávamos a passar por aquela área, senti um frio diferente. Era fevereiro, pleno verão. Estava fazendo uns 35º fácil, mas perto daquele túmulo o arado. Pensei que fosse impressão minha. Nas primeiras semanas de trabalho, fui-me habituando-se à rotina. Mas, cada vez que passava pelo setor C, os meus olhos iam direitinhos para aquele túmulo da menina.

 Não sei explicar bem o porquê. Era como se ele me chamasse a atenção. E eu Comecei a reparar em algumas coisas estranhas. Primeira coisa, aquele túmulo nunca tinha muito mato. Olha, cemitério é um local que se não se cuidar, o mato toma conta numa semana. Mas aquele ali, mesmo quando demorava a fazer a limpeza, estava sempre mais limpo que os outros em redor. Era estranho.

 Segunda coisa, às vezes apareciam flores murchas em cima da lápide, mas nunca via quem deixava. Eu trabalho ali o dia todo, vejo toda a gente que entra e sai, mas nunca apanhei ninguém a visitar aquele túmulo. As flores simplesmente apareciam. E terceira coisa, a mais estranha, a erva em redor crescia diferente.

 Era mais amarelada, mais fraca, como se a terra ali fosse má, mas não fazia sentido, porque o resto do setor tinha relva bonita e verde. Um dia, passados ​​uns três meses trabalhando, comentei com o seu Joaquim: “Seu Joaquim, aquele túmulo da menina no setor C é estranho, não é? A erva ali não cresce direito. Ele me olhou sério e falou: “Boberto, meu conselho para ti é o seguinte: faz o teu trabalho lá, mas não fica muito tempo.

Não mexe muito nas coisas, só faz o básico e sai.” É por, senhor Joaquim, tem algum problema? Ele ficou quieto durante um tempo, como se tivesse a pensar se devia falar ou não. Depois disse: “Aquele túmulo ali, a gente evita, coisas acontecem por lá. Que tipo de coisas? Coisas em que não acredita até ver, rapaz.

 E ele saiu a andar, não quis falar mais nada. Eu fiquei intrigado, mas também achei um bocado disparatado. Eu sempre fui uma pessoa mais céptica, sabe? Não acredito facilmente nestas histórias. Para mim, cemitério é apenas um lugar onde enterram os mortos. E pronto, os mortos tão mortos não vão sair de lá. Era final da tarde, deviam ser umas 5:30, 6 horas.

O sol estava a começar a pôr-se. Eu tava recolhendo as minhas ferramentas no setor C para ir embora. estava sozinho naquela área. Todo o mundo já tinha ido pros outros setores. De repente, ouvi um barulho. Era um choro baixinho de criança. Parei o que estava a fazer na hora, fiquei só a escutar.

 O meu primeiro pensamento foi, deve ter alguma criança perdida aqui no cemitério. Às vezes vem família com criança e a criança se distrai e perde-se. Acontece. Eu larguei as ferramentas e fui procurar. Andei pelo setor todo chamando. Olá, tem alguém aí? Criança, onde estás? Nada. Ninguém respondia e o choro tinha parado.

 Eu fui até ao portão do setor, olhei para os lados, procurei entre os túmulos não tinha ninguém, nenhuma criança, nenhum adulto, nada. Olhei em redor e percebi onde eu tava. Mesmo em frente ao túmulo da menina. Senti um arrepio a subir pela espinha. Peguei nas minhas coisas rapidamente e saí dali. Não corri, mas andei bastante depressa.

 Meu coração estava acelerado. Nos dias seguintes, evitei ficar no setor C sozinho ao final da tarde. Sempre arranjava um jeito de terminar o meu serviço lá mais cedo ou levava alguém comigo. Não disse a ninguém o que tinha acontecido porque ia pensar que eu tava maluco. Mas o que eu não sabia naquela altura era que eu não era o único ouvir coisas e que aquilo era apenas o começo.

 as coisas iam ficar muito, muito mais estranhas. E tudo girava em torno daquele túmulo de 1970, daquela menina de 7 anos que eu não sabia nada sobre ela. Depois desse dia que ouvi o choro, fiquei meio assim, sabe, com aquilo na cabeça. Mas a vida continua, o trabalho continua. E eu tentei não pensar muito no assunto. Afinal, tinha sido apenas uma vez, podia ter sido qualquer coisa.

 Umas duas semanas depois, estava a tomar café no intervalo com o Marcos. O Marcos é outro coiro. A gente estava a conversar quando mudou de assunto do nada. Ô, Roberto, posso perguntar-te uma coisa? Pode, fala. Ele ficou meio sem graça. Já ouviu coisa estranha no setor C? O meu coração deu uma acelerada. Que tipo de coisa? Sei lá, pá.

 Tipo, choro de criança. Eu juro que cada vez que eu trabalho lá à tardinha, ouço um choro baixinho. Mas quando vou olhar, não tem ninguém. Não era só eu. Então, já faz tempo que ouve isso. Há uns dois meses, mais ou menos. No início a estava a imaginar, mas agora, pá, é quase todos os dias. E não sou só eu, não. Foi aí que eu decidi contar-lhe o que tinha acontecido comigo.

 Quando acabei, ele tava com uma cara aliviada. Ainda bem que não sou só eu. Pensei que estava a ficar doido. No mesmo dia, fomos falar com o Carlos, o jardineiro. Ele confirmou na hora. Vejo sim várias vezes um vulto pequenino, tipo criança, andando entre os túmulos, sempre com roupa claro, tipo um vestido branco ou coisa assim.

 Já tentou chegar perto? Perguntei. Já, mas quando vou olhar melhor, não tem mais nada, desaparece. A gente ficou ali a conversar e descobriu que não éramos só nós os três. A dona Maria e a dona Neusa, que trabalham na limpeza, também tinham histórias para contar. A dona Maria foi muito direta. Aquele setor C não limpo depois das 17 horas.

Podem mandar-me embora se quiserem, mas não vou. Há ali uma presença que não é normal. A senhora sente o quê, dona Maria? Eu perguntei: “Peso no peito, frio na espinha, vontade de sair correndo. Já não era coisa da minha cabeça, era toda a gente a ver e a ouvir. Alguma coisa estava a acontecer naquele lugar.

 Aí começaram os relatos dos visitantes. A administração começou a receber reclamações. Uma senhora foi lá brigar com a diretora. Tem uma criança perdida no cemitério de vocês. Eu ouvi ela a chorar, chamando pela mãe. Vocês não vão fazer nada. Outra pessoa queixou-se que sentiu uma mão gelada na perna.

 Um senhor com cerca de 60 anos bem lúcido, nada de maluco. Ele estava visitando o túmulo da esposa quando sentiu. Era uma mão pequena, gelada, apertando-me a perna. Olhei para baixo na altura não tinha nada, mas senti. Foi real. E houve gente passando mal. Isto foi o que mais chamou a atenção da diretoria. Visitante desmaiando, sentindo-se mal, tendo tonturas, sempre na mesma zona, sempre perto daquele túmulo.

Uma rapariga nova teve de ser socorrida. Foi visitar o túmulo da avó, que ficava perto do túmulo da menina. De repente, começou a sentir-se mal. ficou pálida, suando frio, com náuseas. Sentaram-na num banco, chamaram ambulância. Foi nesta época que as As minhas próprias experiências ficaram mais fortes.

 Houve um dia que eu deixei as minhas ferramentas organizadas do lado do túmulo da menina. Era meio-dia, sol quente, tudo normal. Eu fui até ao depósito buscar o carrinho para levar as coisas. Demorei no máximo 5 minutos. Quando regressei, as ferramentas estavam todas espalhadas pelo chão. A pá, o rastelo, a enchada, tudo atirado para volta, como se alguém tivesse dado um pontapé tudo de propósito.

 [música] Olhei em redor, não havia ninguém por perto, ninguém mesmo. E aquilo deixou-me com raiva. Sabe quem foi o engraçadinho que mexeu nas minhas coisas? Eu falei alto, silêncio, apenas o vento nas árvores. Mas o pior, o que mais me assustou aconteceu numa tarde. Era um dia de semana, já estava a anoitecer.

 Devia ser umas 6:15. [música] Eu estava atrasado, tinha ficado terminando um serviço. Estava sozinho no cemitério. Todo o mundo já tinha ido embora. Só faltava eu ​​fechar o portão do setor C e ir embora também. Quando eu estava a fechar o cadeado do portão, ouvi uma voz atrás de mim. Era voz de criança, voz infantil, baixinha, bem pertinho de mim.

 Eu congelei, não consegui mexer-me por uns segundos. Respirei fundo e virei-me lentamente. Quando virei, vi. Durante uma fração de segundo, vi uma figura pequena de costas para mim, parada ali a uns 5 m, vestido branco, cabelo escuro e comprido, uma menina. Dei mais um passo, pestanejei. Quando abri os olhos, já não tinha nada.

 A figura tinha desaparecido, simplesmente desaparecido. Olhei para todos os lados. Não havia como ela ter corrido ou se escondido tão depressa. Era impossível. Mas ela já não estava lá. As minhas pernas estavam bambas. Peguei as minhas coisas e saí dali a andar depressa. Nessa noite mal consegui dormir. Depois desse dia, comecei a ficar com medo de verdade.

 Mas não era só comigo. Todo o mundo tava assim. Os Os funcionários estavam a pedir para trabalhar noutros setores. As pessoas que visitavam começaram a evitar aquela área. A direcção estava preocupada, sem saber o que fazer. A gente tentou pesquisar sobre a menina do túmulo. Fui atrás de documentos antigos, certidão de óbito, qualquer coisa, mas não achei quase nada. Apenas o nome, a idade, o ano.

Sem informação sobre a família, sobre como ela morreu, nada. Era como se aquela criança tivesse sido enterrada e esquecida. E agora, mais de 30 anos depois, alguma coisa estava a acontecer ali. Alguma coisa que nós não entendia. A situação estava insustentável, já não dava para ignorar.

 Todos os dias era alguém vendo algo, ouvir algo, sentir algo. Foi quando ela apareceu do nada numa manhã de sábado, uma senhora de cerca de 65 anos, cabelo branco, que ali ninguém conhecia. Ela chegou ao portão e pediu para falar comigo. Aquela senhora era a dona Teresa. A senhora que lá estava era uma mulher com cerca de 65 anos, baixa, cabelo branco, apanhado num carrapito, roupa simples, saia azul marinho e blusa branca.

 Mas o que me chamaram a atenção foram os olhos dela. Eram olhos calmos, mas muito atentos, como se ela visse mais do que a gente. Bom dia. A senhora queria falar comigo? Ela olhou para mim e sorriu levemente. Eu preciso de falar contigo sobre uma criança que está enterrada aqui. Ela continuou. O meu nome é Teresa.

As pessoas tratam-me por dona Teresa. Eu sou sensitiva. Tenho esse dom desde criança, de sentir e ver coisas que outras pessoas não vem. Sonhei três noites, sempre o mesmo sonho. Uma menina pequena, de vestido branco, a chorar muito. Ela mostrou-me este cemitério, me mostrou um túmulo e mostrou-me a si cuidando do lugar.

 Ela está a pedir ajuda. Ela não consegue descansar. Ela disse isso de uma forma tão natural, tão simples, que não parecia loucura. Senti um arrepio. A senhora pode descrever-me a menina do sonho? Criança pequena, uns 7 anos, cabelo escuro, comprido, vestido branco. E ela está sempre a chorar, à procura de alguma coisa.

 Ela perdeu algo muito importante. Era exatamente o que a gente vinha vendo. A Dona Teresa, por favor, entre. Eu preciso de levar a senhora até um lugar. Levei-a até ao setor C. Não disse qual era o túmulo. Queria ver se ela realmente sabia. Quando a gente estava a chegar perto, ela parou sozinha, olhou em redor e apontou: “É aquele ali. Era o túmulo de Maria Clara.

A gente aproximou-se. A Dona Teresa ficou parada em frente da lápide, lendo a inscrição. Fechou os olhos, ficou ali sossegada durante uns dois ou três minutos. Eu esperei sem perceber bem o que estava a acontecer. De repente, vi lágrimas a escorrer do rosto dela. Ela abriu os olhos e olhou para mim.

 Coitadinha, que medo ela sentiu. Que escuridão, que dor. Dona Teresa, a senhora consegue sentir o que lhe aconteceu. Não é só sentir. Ela está a mostrar-me. Ela está contando-me. A Dona Teresa respirou fundo. Roberto, vou contar-te a história dessa criança. A gente se sentou num banco ali perto e a dona Teresa começou a contar.

 Maria Clara tinha 7 anos quando faleceu em 1970. Era uma menina alegre, gostava de brincar, de correr, era cheia de vida, sabe? E havia uma coisa que ela adorava mais do que tudo, laços de fita no cabelo. Laços? Eu perguntei isso. Ela tinha laços de todas as cores, cor-de-rosa, azul, amarelo, branco. Adorava usar laço no cabelo. A mãe dela fazia questão.

Arranjava sempre o cabelo da menina com um bonito laço antes de sair de casa. Era a marca dela. A Dona Teresa fez uma pausa, limpou as lágrimas. O favorito dela era um laço vermelho de veludo. A avó tinha dado de presente no aniversário dela. Ela usava-o a toda a hora. O que lhe aconteceu, dona Teresa? Foi num dia de Verão.

 Ela estava a brincar sozinha no quintal da casa. A mãe estava lá dentro a fazer o almoço. De repente, um cão grande de rua saltou o muro. Era um cão agressivo, perigoso. Eu fiquei só a ouvir com um aperto no peito. A menina assustou-se, tentou correr. O cão foi atrás dela, a ladrar, a mostrar os dentes. Ela correu para as traseiras da casa, desesperada.

Havia ali um poço velho, abandonado, coberto com umas tábuas velhas de madeira. A Dona Teresa respirou fundo antes de continuar. Ela tropeçou, caiu em cima das tábuas. As tábuas eram velhas, podres, partiram-se e ela caiu, caiu diretamente dentro do poço. Meu Deus! Foi tudo o que consegui dizer. O poço tinha quase 8 m de profundidade.

 Estava escuro, gelado, tinha água suja no fundo. Ela caiu, bateu, magoou-se, gritou, chorou, pediu ajuda, mas estava lá ao fundo. Ninguém ouvia direito. A família demorou a encontrar ela. Horas, a mãe procurou pela casa toda, pelo quintal, chamou os vizinhos, até que alguém ouviu um gemido vindo do poço.

 Quando conseguiram tirá-la de lá, já estava muito mal. Ferimentos internos, hipotermia em estado de choque. A Dona Teresa limpou mais lágrimas. Levaram-no para o hospital correndo. Ela ficou dois dias. Os médicos tentaram de tudo, mas os ferimentos eram graves demais. Estava delirando de febre, de dor, e o laço vermelho tinha ficado no fundo do poço.

 E nos últimos momentos dela no hospital, sabe o que ela pedia? Abanei a cabeça com um nó na garganta, o laço vermelho. Ela ficava repetindo: “Mãe, onde está o meu laço? Perdi o meu laço no buraco escuro. Está frio. Eu quero o meu laço. Estas foram as últimas palavras dela antes de morrer. Ela morreu à procura daquele laço.

 Fiquei sem palavras. Era uma história terrível, demasiado triste. Morreu em pânico, no medo, e a última coisa que ela queria era o laço que ela perdeu. A mente dela ficou presa nisso. Ela não compreende que morreu. Ela ainda está à procura do laço dela. Por isso os fenómenos ela tá procurando. A Dona Teresa levantou-se.

 Eu vim aqui porque ela me pediu nos sonhos. Eu posso ajudá-la, posso trazer paz, mas vou precisar de algumas coisas. O que a senhora precisa? Sete velas brancas, água benta, um terço e um laço de fita. Qualquer cor serve, mas tem de ser novo. Eu e os outros funcionários corremos para conseguir tudo. Compramos as velas numa loja perto.

 Pegamos água benta na igreja. A dona Neusa tinha um laço de fita cor-de-rosa na bolsa. Ela doou. A Dona Teresa tinha um terço. Quando voltámos, a dona Teresa pediu para ficarmos como testemunhas. Ela colocou as sete velas em círculo à volta do túmulo. Acendeu uma a uma rezando baixinho. O ar mudou. Ficou mais pesado, mas não assustador.

 Era como se algo tivesse prestado atenção. Dona Teresa deitou água benta na lápide, fez o sinal da cruz, começou a rezar alto. Depois ela começou a falar como se conversasse com alguém. Maria Clara, estás a me ouvindo? Eu sei que está assustada. Eu sei que está à procura de algo. A sua mãe não se esqueceu de si, mas precisa descansar agora, criança.

 De repente, três velas apagaram-se ao mesmo tempo. Eu e os outros demos um passo atrás, assustados. Mas a dona Teresa continuou calma. Perdeu o seu laço no poço. Eu sei. Estava escuro, estava com frio. Eu sei. Mas o medo já passou. Você está segura agora. A Dona Teresa pegou no laço rosa, rezou sobre ele e amarrou na cruz do túmulo.

 Olha, Maria Clara, um laço novo para si. Nunca mais vai perder, prometo. O ar ficou mais leve. As velas que tinham apagado acenderam sozinhas. A Dona Teresa sorriu. Ela aceitou. Depois de quase duas horas, ela nos reuniu. Eu acalmei-a, mas vocês precisam de fazer uma coisa muito importante. A partir de hoje, tem sempre que ter um laço neste túmulo, qualquer cor, mas nunca pode faltar.

 Se faltar, ela vai ficar novamente aflita. Enquanto tiver laço, ela fica em paz. Ela pendurou o terço na cruz e foi-se embora. Nunca mais a vi. Naquela noite fiquei até tarde de propósito. Passei pelo túmulo às 6 às 7 da noite. Nada, nenhum choro, nenhum vulto, apenas o laço cor-de-rosa balançando ao sabor do vento e uma sensação de paz que nunca tinha sentido naquele lugar antes.

 Depois desse dia com a dona Teresa, cumprimos a promessa. Começo, éramos nós, os funcionários, que trocávamos quando o laço ficava velho ou desbotado pelo sol e pela chuva. A gente usava laços de todas as cores, vermelho, azul, rosa, amarelo, branco. [música] E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada de estranho voltou a acontecer.

 Não houve mais choro, não houve mais vulto, não teve mais aquela sensação de frio e de peso no peito. O o setor C voltou a ser um local normal, tranquilo. Era como se a menina tivesse finalmente encontrado o que procurava e agora estava em paz. Com o tempo, os Os visitantes do cemitério começaram a reparar no túmulo com os laços coloridos.

 Muita gente parava à frente, curiosa, e perguntava: “Por tem laços nesse túmulo? Quem é esta menina?” No início só falávamos que era uma tradição, que a menina gostava de laços, mas depois algumas pessoas insistiam, queriam saber a história completa. Então a gente contava resumido, o que tinha acontecido, a tragédia da menina, o acidente no poço, como ela não descansava, a visita da sensitiva e o pedido dos laços.

 A notícia começou a espalhar pela cidade de São Vicente. Conhecidos contavam a conhecidos, vizinhos comentavam com vizinhos. Até saiu uma reportagem com o título O túmulo da Menina do Laço. A história emocionante do cemitério municipal. [música] Depois daquela matéria, tudo mudou. O túmulo tornou-se um ponto de visitação.

 Gente que nem sequer tinha parente aqui enterrado começou a vir só para conhecer o jazigo da Maria Clara. e muitos traziam laços. Houve um dia, há há uns 5 anos, que me marcou muito. Era uma tarde de terça-feira, eu estava fazendo a manutenção de rotina no setor C. Vi uma senhora muito idosa a chegar lentamente, apoiada numa bengala.

 Ela devia ter uns 80 e poucos anos, cabelo completamente branco, muito magrinha. Ela parou em frente ao túmulo da Maria Clara e ficou ali a olhar para os laços. começou a chorar baixinho. Aproximei-me com cuidado. A senhora está bem? Posso ajudar em algo? Ela olhou-me com os olhos cheios de lágrima.

 Aquele túmulo é da minha filha. O meu coração apertou. Era a mãe da Maria Clara. A senhora é a mãe dela? Sou. Vim da Praia Grande, onde moro agora. Há anos que não consigo vir aqui por causa da idade, das pernas, mas hoje consegui. A minha neta trouxe-me. Ela olhou para os laços coloridos, para as flores que as pessoas tinham deixado.

 Olha quanta gente se lembra da minha filha. Ela não foi esquecida. Mesmo quem nunca conheceu ela traz um laço, faz uma oração. A sua filha é muito lembrada aqui. A senhora pode ter a certeza disso. Ela pegou na minha mão. Obrigada. Obrigada por cuidarem dela. Obrigada por manterem os laços. Ela amava tanto os seus lacinhos.

E chorou mais um pouco, mas era um choro de alívio, sabe? De gratidão. Aquele momento ensinou-me muito. Fez-me compreender que o que nós fazemos aqui não é apenas um trabalho. É cuidar das memórias, das histórias das pessoas que já partiram. Uma história de medo que se tornou história de respeito.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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