O TÚMULO DE SEBASTIÃO… TENTEI ENTERRAR O CORPO TRÊS VEZES, MAS ALGO DEU ERRADO EM TODAS ELAS
O TÚMULO DE SEBASTIÃO… TENTEI ENTERRAR O CORPO TRÊS VEZES, MAS ALGO DEU ERRADO EM TODAS ELAS 
Sempre acreditei que a terra fria do cemitério municipal de Belo Horizonte fosse o último lugar de descanso para qualquer alma penada ou pecadora. Mas eu aprendi da pior maneira possível que até mesmo a própria sujidade e os vermes têm um limite para a maldade que conseguem engolir no escuro.
O pesadelo começou na exata manhã em que precisei de enterrar o corpo pesado de um homem chamado Sebastião, no sector sul, mais antigo e isolado. O velório tinha sido muito rápido e vazio, e o caixão de madeira escura parecia pesar uma tonelada nas cordas grossas. Lancei a última pá de terra fofa por cima da cova e fui para a guarita descansar os meus braços doridos, achando que o meu trabalho estava concluído.
Mas quando voltei para o meu turno na madrugada seguinte, o meu sangue gelou nas veias de puro terror absoluto. O caixão do Sebastião estava completamente desenterrado e atirado por cima da relva amassada, como se a própria cova tivesse cuspido a madeira para fora com muita violência. Um cheiro insuportável a carne podre e enxofre tomava conta do ar gelado da madrugada e as coroas de flores dos túmulos vizinhos estavam todos murchos e escuras.
Ouvi claramente dezenas de vozes raivosas sussurrando debaixo da terra à minha volta, exigindo que eu tirasse aquela presença maldita de perto deles. Eu tentei enterrar aquele corpo pesado três vezes seguidas e nas três vezes o campo santo rejeitou a alma daquele homem mau. Foi apenas quando eu decidi enfrentar a escuridão e abrir a tampa de madeira para arrancar a maldição lá de dentro, que a verdadeira história de terror começou.
E os passos arrastados passaram a caçar-me no cascalho. O que encontrei dentro daquele caixão provou que existem pecados tão cruéis que nem [música] o fundo do abismo ousa aceitar de braços abertos. E se tiver coragem de descobrir como acalmei a fúria daquele cemitério, deixe o seu comentário abaixo dizendo se tem medo de andar sozinho na escuridão.
Meu nome é Vicente e dediquei 25 anos da a minha vida, abrindo buracos fundos e fechando covas no mesmo cemitério da nossa cidade. Eu comecei nesta profissão pesada quando eu era apenas um rapaz de 25 anos de idade, tentando sustentar a a minha família com o suor honesto do meu rosto.
Eu tenho 50 anos de idade agora e Continuo a ser o coveiro principal e mais ativo deste lugar sombrio. Eu sempre tive o sangue frio e a mente blindado contra as assombrações, porque eu sabia que os mortos só precisavam de respeito e de silêncio absoluto. Mas o caso do túmulo rejeitado do Sebastião mudou para sempre a minha visão sobre o mundo espiritual e sobre o meu próprio propósito de vida.
Eu entendi da pior forma possível que o meu trabalho não é apenas cavar buracos na terra fofa, mas sim atuar como um verdadeiro guardião das almas perdidas que vagueiam por aqui. Hoje estou sentado no meu banco de madeira velha na frente da guarita principal, limpando a sujidade da a minha bota de couro antes de começar mais um longo dia de trabalho pesado debaixo de um sol forte.
O cemitério está mergulhado num silêncio profundo e muito pacífico que eu próprio ajudei a restaurar com muito sacrifício e coragem. Eu decidi gravar esta história aqui à sombra fresca de uma árvore antiga para deixar registado como eu conseguia aprisionar o mal que o Sebastião trouxe-o para este campo santo. Preciso de contar tudo o que aconteceu naquelas madrugadas de perseguição implacável no cascalho antes que os portões de ferro se abram para o próximo velório.
O dia do primeiro funeral foi marcado por um clima pesado e sufocante que parecia suster a minha respiração na garganta de forma agoniante e muito contínua. A família do Sebastião era muito pequena e os poucos familiares que compareceram ao buraco aberto não derramaram uma única lágrima de tristeza. Olhavam para a caixa de madeira com um misto de relevo e pavor profundo, como se se estivessem a livrar de uma praga terrível que assombrou as vidas deles durante décadas a fio.
Eu notei que nenhum deles quis encostar à pega de metal para ajudar a descer o corpo e todos mantinham uma distância muito segura da cova aberta. Eu percebi que as cordas de nylon grosso instalaram com muita força quando eu e o meu ajudante começamos a descer o caixão para o fundo do buraco húmido.
O peso era totalmente desproporcional para o corpo de um homem magro e doente. E a madeira [música] escura rangia de um modo muito assustador e antinatural. O som do verniz instalando parecia o gemido de uma criatura presa que estava a ser trancada contra a sua própria vontade macabra. Enchi a cova com a pá e nivelei a terra molhada, sentindo uma energia muito hostil e estática subir pela sola da minha bota de couro grosso.
Os corvos que costumam ficar nas árvores altas voaram para muito longe e um o silêncio absoluto e doentio tomou conta de todo o setor sul. Eu terminei o meu turno exausto e fui dormir para a guarita, esperando que o dia seguinte fosse apenas mais um dia de trabalho comum braçal.
O meu choque foi indescritível quando a primeira luz da manhã iluminou o setor sul, revelando aquele cenário completamente impossível e macabro que iria mudar a minha vida de forma permanente. A terra fofa estava espalhada para todos os lados de forma muito violenta, e o caixão do Sebastião repousava intacto sobre a erva molhada de sereno frio.
Não havia marcas de paz ou de escavação humana em redor do buraco fundo, e o solo parecia ter explodido de baixo para cima, como um vulcão de lama escura e pesada. A tampa de madeira estava coberta por uma camada fina de terra malcheirosa e o verniz brilhante parecia ter absorvido a humidade do abismo durante aquelas poucas horas de escuridão total.
Eu me aproximei-me lentamente, sentindo o cheiro nauseabundo de podridão que ardia nos os meus olhos castanhos e embrulhava o meu estômago vazio de forma implacável. O fedor não era de um corpo humano normal em decomposição, mas antes um aroma rançoso de enxofre misturado com carne velha e água parada de pântano.
O terror aumentou de forma drástica quando eu Olhei para os túmulos de mármore branco que ficavam perto daquela cova amaldiçoada. Todas as flores frescas tinham apodrecido de forma repentina e os vasos de porcelana estavam estalados e cobertos por um lodo verde muito escuro e repugnante. As fotografias dos outros mortos coladas nas cruzes de pedra pareciam ter envelhecido muitas décadas em apenas uma única noite sombria.
As almas dos outros mortos não estavam felizes com aquele novo vizinho. e a terra sagrada daquele cemitério se recusava-se violentamente a absorver os pecados asquerosos dele. Eu chamei dois ajudantes do turno do dia e nós enterrámos o corpo do Sebastião pela segunda vez com muito mais dificuldade e suando frio debaixo do sol quente e rachando.
Se o relato destas covas amaldiçoadas e destes mortos rejeitados já fez o seu corpo arrepiar-se de pavor, não se esqueça de deixar o seu like neste vídeo e se subscreve o nosso canal para não perder nenhuma das nossas viagens semanais pelos abismos do além. O seu apoio é a única luz que me ajuda a continuar caminhando por estas trevas.
A segunda madrugada foi o momento exato em que a raiva espiritual do cemitério se transformou-se em uma manifestação paranormal, muito violenta e impossível de ignorar ou de tentar esconder da mente. O vento noturno parou de forma repentina e uma névoa espessa e muito fedorenta começou a rastejar por entre as ruelas estreitas do sector sul, como se fosse uma grande serpente branca e venenosa.
Eu fazia a minha ronda com uma lanterna de metal pesado na mão esquerda e um rádiocomunicador desligado na mão direita, apenas para fazer um peso de segurança. O frio absurdo queimava o meu rosto enrugado e transformava a minha respiração em pequenas nuvens brancas de vapor no ar estagnado e mortalmente silencioso. O barulho de um choro abafado começou a surgir de todos os lados, como se dezenas de pessoas estivessem a sufocar debaixo da terra molhada e lutando por um pouco de ar limpo.
As lápides de mármore vibravam levemente e o som de unhas a arranhar as tampas de cimento ecoava pela escuridão com uma claridade enlouquecedora que magoava os meus tímpanos sensíveis. Eu podia ouvir com clareza os sussurros furiosos, dizendo para eu tirar aquela praga nojenta do perto deles. E o tom das vozes invisíveis era de puro ódio ancestral e desespero total.
Os outros mortos estavam a bater em aflição, porque não suportavam dividir o mesmo solo sagrado com a podridão espiritual do Sebastião, que contaminava absolutamente tudo ao seu redor. O chão de cascalho debaixo das minhas botas sujas parecia pulsar no mesmo ritmo das batidas desordenadas do o meu próprio coração apavorado e cada vez mais acelerado no peito.
Cheguei perto do túmulo amaldiçoado e apontei a luz amarela da minha lanterna para o chão, já à espera de encontrar o pior cenário possível e imaginável para aquela noite de ronda. O caixão de madeira estava lá fora novamente e a terra em redor borbulhava como se fosse uma lama fervente e muito espessa, que cuspia bolhas de gás venenoso e podre.
A tampa de madeira estava coberta por uma gosma preta e o cheiro a enxofre era tão forte que precisei de tapar a boca e o nariz com a manga da minha farda azul marinho grossa. Foi nesse preciso momento de desespero cego que a temperatura despencou ainda mais. E vi um vulto muito escuro e assustador formar-se na extremidade extrema da cova aberta.
Era o espírito translúcido de uma mulher idosa, vestida com um véu de luto profundo, que escondia o seu rosto totalmente desfigurado pela dor profunda e pelo sofrimento espiritual eterno. Ela chorava copiosamente e as suas lágrimas caíam sobre a madeira do caixão, transformando o verniz brilhante em cinzas fumegantes e imensamente malcheirosas, de um jeito antinatural.
A aparecimento de luto não mexeu a boca em nenhum momento, mas a voz dela rasgou a a minha mente como uma faca muito afiada e enferrujada, implorando por socorro imediato e urgente. O eco daquela voz fantasmagórica deixou-me tonto e eu precisei de me apoiar na estátua de um anjo de pedra que estava ao meu lado para não cair ajoelhado no meio daquela sujidade profana.
Ela contou-me de forma telepática que o Sebastião tinha roubado um objeto amaldiçoado e muito profano do antigo altar de uma capela rural no interior de Minas Gerais há muitos anos atrás. O homem era tomado por uma ganância doentia e tinha exigido em testamento ser enterrado com o artefacto de ouro escondido no fundo do bolso do o seu fato escuro e bem alinhado.
O objeto macabro prendia a alma sombria do Sebastião, ao corpo apodrecido e funcionava como um íman incrivelmente poderoso para todas as energias demoníacas daquela região inteira. A terra sagrada do nosso cemitério municipal nunca conseguiria engolir e purificar um fardo tão denso e pesado, de pura maldade e cobiça humana, que aquele homem ainda trazia no peito morto.
[música] A mulher de vé avisou com urgência que os mortos antigos iam destruir aquele setor todo se eu não arrancasse o objeto maldito de dentro do caixão imediatamente antes do amanhecer do sol quente. Ela disse que o Sebastião fez um pacto em vida e tentou enganar a dona morte, levando o selo da sua própria condenação para debaixo da terra sagrado, tentando corromper o local sagrado.
O volto dorido desfez-se em fumo cinzento logo em seguida, me deixando-o completamente sozinho, com o vento gelado e com a missão mais perigosa e assustadora da minha vida inteira. Eu sabia que enterrar o corpo pesado pela terceira vez não ia adiantar nada e que precisava de cortar aquele mal pela própria raiz apodrecida e nojenta com as minhas próprias mãos nuas.
Se a ideia de abrir um caixão encerrado no meio da madrugada fria [música] para roubar um objeto do bolso de um cadáver apodrecido causa-te calafrios incontroláveis, pare! O verdadeiro horror desta história sombria ainda está apenas a aquecer nas profundezas do abismo escuro. Eu Procurei uma pesada alavanca de ferro na parede da guarita e voltei para o túmulo amaldiçoado, com as mãos a tremerem de forma incontrolável e violenta debaixo da luz da lua.
O medo constante tentava paralisar-me, mas o meu sentido de dever como guardião absoluto daquele lugar falava muito mais alto dentro da minha mente perturbada e assustada. Encaixei a ponta de metal grosso na fresta da madeira escura e forcei o braço direito, sentindo as dobradiças muito antigas estalarem com um barulho ensurdecedor e metálico na madrugada.
O gás inflamável e preso dentro da caixa de pinho escapou de uma só vez, atingindo o o meu rosto suado, com o pior cheiro a decomposição que já senti em 25 anos de trabalho manual contínuo. Os meus olhos castanhos lacrimejaram de imediato e o meu estômago revirou-se fortemente, ameaçando deitar todo o meu jantar simples no chão de terra molhada e lamacenta.
Eu apontei a lanterna trémula e fraca. para o interior escuro do caixão e vi o rosto muito pálido e afundado do Sebastião, iluminado pela luz amarelada e cheia de falhas. A pele nojenta dele parecia esticada sobre os ossos secos do crânio, e a boca estava ligeiramente aberta numa expressão de agonia muda e eterna que congelava a alma de qualquer homem vivo que ousasse olhar.
A roupa preta do defunto estava impecável, apesar da situação grotesca de putrefacção, e os braços rígidos dele estavam cruzados sobre o peito magro e totalmente sem vida. [música] Eu fechei os meus olhos cansados por um único segundo e enfiei a mão direita no fundo do bolso esquerdo do fato gelado, daquele defunto assustador e amaldiçoado pelas sombras.
Os meus dedos grossos e muito sujos de terra encostaram a uma peça de metal pesado e incrivelmente [música] frio e cheia de relevos ponteagudos que parecia pulsar como um coração de ferro adormecido no escuro. Senti uma queimação esquisita e dolorosa na ponta dos dedos calejados, como se o objeto proibido estivesse roubando a temperatura do meu próprio corpo de forma hostil e muito agressiva.
Puxei o objeto para fora com muita pressa e desespero e descobri horrorizado que era um pequeno crucifixo de prata totalmente manchado de negro, com inscrições profanas arranhadas na parte de trás da cruz. Os símbolos tortos não eram deste mundo iluminado e pareciam contorcer-se na luz fraca da minha lanterna, formando palavras perigosas numa língua morta e esquecida pela nossa humanidade.
Assim que o metal amaldiçoado perdeu o contacto físico e constante com o corpo podre do morto, o caos absoluto foi instantaneamente libertado naquele setor escuro e isolado do cemitério municipal. A pesada tampa do caixão bateu de volta com muita força sozinha, e os olhos esbranquiçados e opacos do Sebastião se abriram-se de repente, fixando um olhar de ódio profundo e demoníaco, direto na minha direção de homem vivo.
O ar noturno ficou tão denso e pesado de energia maléfica que a minha lanterna começou a piscar freneticamente e apagou-se por completo, mergulhando-me na escuridão mais pura e aterradora do mundo inteiro. Ouvi com clareza, um rugido rasgado e intensamente furioso, vindo de dentro daquela caixa de madeira malcheirosa e recuei alguns passos apressados, tropeçando nas pedras soltas da travessa principal do meu setor.
O espírito aprisionado do Sebastião rasgou o véu ténue da morte de uma vez por todas, e materializou a sua forma desfore e cheia de ódio assassino por cima da própria cova aberta e suja de lama. Ele não ia permitir, sob qualquer hipótese, que um qualquer coveiro roubasse o seu maior tesouro obscuro e destruísse a sua ligação doentia com o plano dos vivos, de forma tão fácil e rápida.
A forma monstruosa dele era feita de sombras muito espessas e de uma fumo negro rodopiante que cheirava fortemente a carne queimada de incêndio e a terra de cemitério totalmente revirada. A perseguição frenética pelo saibro do cemitério começou de forma brutal e desesperada. E nunca corri tão rápido na minha vida inteira de homem trabalhador e protetor da família.
Eu apertava o crucifixo profano e quente na minha mão fechada com força, sentindo o metal afiado cortar a minha palma grossa, enquanto eu me desviava desesperado dos mausoléus de granito e das estátuas altas de anjos. O som dos passos gigantescos do Sebastião era pesado e irregular, como se os ossos velhos das pernas dele estivessem a partir violentamente a cada passo arrastado que dava logo atrás do meu calcanhar.
A cada segundo angustiante, a distância mortal entre nós diminuía assustadoramente, e o frio exalado por aquela assombração gigantesca começava a congelar a nuca do meu pescoço, suado e muito tenso. O fantasma endiabrado derrubava os vasos de flores e rasgava as folhagens pelo caminho de pedra, soltando urros demoníacos insuportáveis que faziam os cães da rua de fora uivarem de muito pavor e desespero canino.
O cemitério inteiro parecia ter ganho vida de repente, e os túmulos dos outros sectores vibravam em resposta imediata à fúria daquele morto amargo que se recusava a aceitar a sua sentença final e merecida no fogo eterno. Se a sua coragem sempre fala mais alto nos momentos de terror extremo e também não fugiria da sua responsabilidade perante as trevas, comente abaixo qual seria a sua arma secreta.
contra um fantasma vingativo e cheio de ódio. Eu cheguei ofegante e tropeçando de forma atabalhoada na guarita principal e tranquei-me lá dentro, escorando o meu corpo cansado e pesado, contra a grossa e resistente porta de ferro enferrujado que eu próprio instalei no passado. Rodei a chave pesada na fechadura gasta e encostei uma velha cadeira de madeira grosso contra a maçaneta redonda, tentando ganhar alguns segundos preciosos e vitais para pensar numa solução definitiva e corajosa.
As pancadas violentas e ensurdecedoras começaram de imediato por amolecer as dobradiças muito antigas [música] e estalando o vidro grosso da janela que dava para a praça principal. Com um estrondo absurdamente assustador e agudo. As sombras frias do lado de fora pareciam contorcer-se como cobras no ar. E o rosto esbranquiçado e sem vida do defunto Sebastião, apareceu colado no vidro rachado, encarando de forma doentia o fundo da minha alma humana.
Ele exigia aos berros distorcidos que eu devolvesse a cruz negra e profana e ameaçava arrastar o meu espírito ainda vivo para dentro do abismo juntamente com ele, se eu não obedecesse cegamente às ordens demoníacas dele naquele instante. frio tenebroso dentro da guarita ficou absolutamente insuportável e a água da A minha pequena garrafa de plástico congelou em questão de segundos, estalando e rachando ruidosamente no chão de cimento duro.
Eu percebi naquele exato momento de desespero cego e de suor frio que fugir como um cobarde nunca seria a solução definitiva para o meu problema espiritual grave e muito urgente. O cemitério inteiro era o meu território de direito legítimo, e eu não podia jamais permitir que uma alma podre e maldita expulsasse um homem vivo e muito trabalhador, do seu próprio local de serviço suado e 100% honesto.
Eu tinha passado os melhores 25 anos da minha vida, zelando rigorosamente por aquele solo sagrado. E eu não iria de maneira nenhuma entregar as chaves prateadas do portão principal para um demónio qualquer recém-chegado. Respirei muito fundo, buscando o ar que faltava nos meus pulmões doridos, e abri a porta de ferro de uma única vez, segurando o crucifixo amaldiçoado, bem alto, à altura exata dos meus olhos abertos e totalmente cheios de coragem renovada.
O volto gigantesco e escuro do Sebastião deixou de bater à porta na mesma hora. e recuou um passo, odiando profundamente a presença da minha atitude inabalável e da luz amarela do poste da rua principal, que iluminava o nossa cena sombria. Eu gritei com toda a força brutal e a raiva acumulada dos os meus pulmões, expurgando todo o meu medo humano, e expulsei aquela presença maligna, usando a autoridade espiritual e irrefutável, que as minhas duas décadas e meia de trabalho árduo deram-me sobre aquele chão sagrado.
Eu marchei com passos muito firmes e pesados na direção da assombração, obrigando o espírito furioso a recuar pelo cascalho branco e afiado até chegar novamente à bordo exato da cova aberta e esburacada no nosso perigoso sector sul. O fantasma desesperado tentou atacar-me com as suas garras afiadas de neblina gélida, mas a a minha determinação, muito inabalável, funcionava como um escudo espiritual invisível e extremamente poderoso contra a maldade pura daquela criatura das trevas.
Lancei o crucifixo profano e amaldiçoado dentro de um velho balde de cimento seco que estava atirado para perto da cova fria. E coloquei um lume alto, utilizando o fluido de reserva do meu isqueiro de bolso e um pouco de quererosene de limpeza de jazigos. O metal negro e demoníaco chiou como se fosse um bicho vivo, a ser torturado, e derreteu quase instantaneamente, libertando um fumo denso e preto, com um cheiro terrível a podridão, que subiu rapidamente para o céu noturno, levando a pesada maldição daquele homem mau e muito amargo. O espírito
aprisionado do Sebastião soltou um último grito terrivelmente prolongado de derrota absoluta e final, e foi sugado violentamente de volta para dentro da madeira rachada do seu próprio caixão, desaparecendo por completo no escuro absoluto do abismo, sem fim e silencioso. O silêncio, absurdamente pacífico e imensamente restaurador voltou a dominar o cemitério municipal de forma quase imediata, como se uma tempestade climática terrível tivesse acabado de passar, limpando a nossa terra.
O vento fresco e limpo da madrugada afastou o cheiro repugnante de morte e de enxofre daquelas ruelas sujas de terra escura. E pude finalmente respirar de alívio de verdade, puxando o ar limpo e puro da madrugada fria para dentro do meu peito exausto e ferido. Eu levei a minha velha pá encostada à árvore próxima e atirei a terra fofa por cima do caixão, pela terceira e definitiva sentindo de todo o coração que a energia pesada do lugar tinha mudado e se purificado completamente em poucas horas. O chão outrora pesado e húmido,
finalmente aceitou o corpo vazio e sem a proteção demoníaca do crucifixo, sem oferecer absolutamente nenhuma resistência física ou rejeição violenta contra a lâmina cega da minha paz suja e batida de serviço duro. As flores desabrochadas dos outros túmulos voltaram magicamente a exalar um perfume muito doce e suave.
E pude sentir que os outros mortos do nosso cemitério adormeceram profundamente, aliviados no fundo das suas camas de pedra fria e de mármore branco. A paz suprema estava totalmente restaurada nessa mesma madrugada e eu sabia no meu âmago que o mal em estado puro tinha sido banido para sempre daquelas terras sagradas e consagradas ao nosso grande criador benevolente.
Aquela noite aterradora e excessivamente longa ensinou-me definitivamente que o coveiro profissional não é apenas um fazedor comum de buracos fundos na terra escura, mas antes o grande guardião absoluto da fronteira silenciosa entre a nossa vida mortal e a desconhecida morte eterna. A a minha coragem bruta foi fortemente testada no fogo das trevas e no medo humano, e saí daquele verdadeiro inferno na terra.
como um homem totalmente novo e com um propósito espiritual inabalável e justo para o resto dos meus dias aqui no nosso mundo. Continuo patrulhando, vigiando e protegendo estas ruas difíceis de cascalho durante as madrugadas silenciosas, com muito orgulho no peito e sem qualquer pingo de medo no meu coração blindado, garantindo fielmente que a ordem espiritual seja sempre mantida a todo o custo e sacrifício humano que for necessário.
Os vivos ignorantes podem até não compreender completamente o peso sagrado da minha farda velha e manchada de terra negra. Mas os mortos conhecem e sabem exatamente quem é o proprietário das chaves pesadas deste imenso grande portão de ferro forjado e ponte afiado. O meu nome é o Vicente e o meu trabalho pesado e essencial como o grande protetor destas muralhas apenas termina de facto quando a última cova estiver permanentemente fechada e a grande paz reinar absolutamente serena no meio do silêncio das nossas grandes cruzes brancas de mármore.