O Segredo do Cativeiro: O Dia em que o Tribunal do Crime Silenciou para Ouvir uma Revelação Bombástica

Hoje vamos trazer mais dois casos envolvendo o crime organizado. Desde um adolescente autista de 14 anos que implorou para não ser morto até uma jovem que, após uma simples postagem no Instagram, acabou tendo um fim brutal. Agora vamos entender essas duas histórias. Este primeiro caso se passa em Teresina, capital do Piauí, no bairro Buenos Aires, na zona norte da cidade, em junho de 2023.
Foi lá que morava Erieldson Ribeiro da Costa, um adolescente de apenas 14 anos. Erieldson era autista, tomava medicação, estudava e, segundo todos que o conheciam, era um menino tranquilo, daqueles que passavam o dia entre o campo de futebol e soltar pipas. Ele não tinha uma única passagem pela polícia, nem sequer uma.
E é importante guardar essa informação porque ela voltará mais tarde. Na terça-feira, 20 de junho de 2023, por volta das 19h, Erieldson saiu de casa e disse à mãe que ia jogar futebol no campo do bairro. Era o que ele fazia praticamente todos os dias. Mas algo aconteceu no caminho que só foi compreendido mais tarde.
Erieldson estava com um amigo e os dois passaram em frente à casa de um dos suspeitos, que fez uma ameaça velada. Umaquelas frases que, para quem vive nesse contexto, significa: “Você está indo para onde não deve”. O amigo percebeu imediatamente e conseguiu se afastar.
Erieldson, por causa de sua condição, não entendeu a gravidade da situação e continuou como se nada tivesse acontecido. Ele nunca voltou para casa. Mais tarde naquela noite, testemunhas viram três homens chegarem ao campo de futebol do Buenos Aires em um carro, se aproximarem do adolescente e o levarem embora. Quando Erieldson não apareceu, a família começou a se desesperar.
E é aí que começa talvez a parte mais dolorosa de toda esta história. Na manhã seguinte, sua mãe, Poliana Ribeiro de Oliveira, saiu de casa e passou o dia inteiro correndo atrás de notícias. Foi na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente para registrar o boletim de ocorrência.
Depois foi na delegacia comum, depois na vara da infância. Ela procurava o filho em todo lugar onde um adolescente pudesse estar detido, apreendido, retido por algum motivo. Enquanto isso, a família postava a foto dele nas redes sociais, relatando seu desaparecimento e pedindo a quem tivesse informações que entrasse em contato. O último lugar onde ele havia sido visto era ali, perto do campo do Buenos Aires.
O que ela não sabia enquanto batia de porta em porta é que seu filho já estava morto havia horas. E foi assim que a família descobriu, não através de uma ligação da polícia, não através de uma batida na porta, mas por meio de um vídeo, porque os homens que levaram Erieldson filmaram o que fizeram com ele e enviaram deliberadamente as imagens para um grupo de WhatsApp para que chegassem à sua casa. E chegou.
Um sobrinho de Poliana, primo de Erieldson, viu o vídeo circulando naquele grupo.
“Não, não, não, não. Fecha a boca. Ninguém vai te matar. Brincadeira. Fecha a boca. Fecha a boca. Espera um minuto, filho. Dá uma…”
Após ver esse vídeo, o sobrinho entrou em contato imediatamente com sua tia Poliana. Ao saber o que havia acontecido com seu filho, a mãe ficou desesperada e acionou a polícia.
A partir desse momento, as investigações começaram antes mesmo de o corpo ser localizado. Segundo o delegado Robert Lavor, familiares e todos os indivíduos que haviam tido contato com Erieldson antes de seu desaparecimento foram imediatamente entrevistados. Entre as hipóteses consideradas nessa fase inicial estava a de que o homicídio resultara de uma vingança direcionada a um parente da vítima.
Na manhã seguinte, o pai do adolescente, Erasmo Costa Gomes, foi ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa em busca de esclarecimentos e afirmou desconhecer qualquer envolvimento de seu filho com companhias perigosas. O corpo de Erieldson foi encontrado na tarde de 22 de junho, dois dias após o seu desaparecimento.
Moradores da rua Jornalista Costa Ribeiro, no bairro Aroeiras, na zona leste de Teresina, sentiram um forte odor vindo de um matagal e acionaram a polícia. Era o adolescente, encontrado a quilômetros do campo de futebol onde havia sido abordado. No dia seguinte, ele foi sepultado em meio a forte emoção de familiares e amigos.
A investigação, liderada pelo delegado Jorge Terceiro do DHPP, identificou os autores e apontou dois adultos envolvidos. Felipe Vanderson de Oliveira da Silva, de 18 anos, conhecido como Manga Rosa, deixou Teresina um dia após a divulgação das imagens e foi preso em São Raimundo Nonato, a cerca de 600 km da capital, na casa de parentes de sua companheira.
A namorada foi autuada por favorecimento pessoal. O segundo é Rodrigo Pedreira Santos, de 22 anos, alvo de um mandado de prisão temporária expedido em 23 de junho e que já respondia a outro mandado de prisão definitiva pendente desde março daquele ano, por uma condenação a mais de 9 anos de reclusão por roubo majorado.
Ele era um foragido da Justiça que deveria estar preso, mas permanecia solto. A motivação do crime foi esclarecida pelo delegado Charles Pessoa, coordenador do Draco. Os autores tinham ligações com uma facção criminosa. Erieldson, não. O adolescente não fazia parte de grupo algum e não tinha antecedentes criminais. Ele apenas mantinha amizades com pessoas ligadas a uma facção rival que dominava aquela área, e foi punido por isso no que essas organizações chamam de “tribunal do crime”.
E é justamente aqui que a história se torna mais cruel. Erieldson era autista e não compreendia totalmente as regras e a divisão de territórios impostas pelas facções em seu próprio bairro. No dia em que foi levado, um dos suspeitos chegou a fazer uma ameaça velada quando ele e um amigo passaram em frente à sua casa. O amigo entendeu o recado e conseguiu escapar.
Erieldson não percebeu a gravidade da situação e seguiu seu caminho rumo ao campo, como fazia todos os dias. Ele foi julgado e condenado sob um código que era incapaz de compreender. Poliana afirmou que seu filho estudava, que não se envolvia em nada e que gostava de soltar pipa e jogar futebol.
Ela disse que o tiraram de pura maldade e acrescentou uma estatística que ilustra a dimensão do problema naquela região: seu filho foi a quarta vítima de um incidente semelhante no mesmo bairro. Erieldson Ribeiro da Costa tinha 14 anos.
Se, no primeiro caso, a polícia foi categórica ao afirmar que a vítima não tinha absolutamente nenhum envolvimento com o crime, no segundo caso a resposta ainda não existe, e é justamente essa ausência de resposta que torna a história perturbadora.
Este segundo caso aconteceu em 24 de novembro de 2025, em Pindaré-Mirim, no interior do Maranhão. A vítima é Sara Kathle, de 21 anos, moradora da cidade vizinha de Santa Inês. Naquela segunda-feira, Sara foi ao balneário Açúcar, um conhecido ponto de lazer na região, onde passaria a tarde almoçando com um grupo de amigos.
Antes de sair, ela havia recebido uma mensagem de texto convidando-a para o local com a oferta de transporte, chegando a compartilhar um print daquela conversa com pessoas próximas. Enquanto estava no balneário, durante o almoço, Sara postou um vídeo em suas redes sociais. Nas imagens, ela aparece se divertindo com o grupo e, ao gravar o momento, exibe sua localização exata em tempo real.
“Olha, deu ruim pra caramba…”
Apenas alguns minutos após essa postagem, tudo mudou. Sara se preparava para deixar o local com seus amigos quando dois homens armados se aproximaram da mesa. Testemunhas relataram que eles conversaram com a vítima antes do ataque. Em seguida, um deles efetuou os disparos — pelo menos oito tiros.
Sara Kathle morreu no local. A dupla fugiu imediatamente após a ação.
“Lá no Açúcar. Acabaram de matar lá no Açúcar aqui. Os caras acabaram de chegar e foram ali, ó.”
A Polícia Militar isolou a área e iniciou buscas na região imediatamente após o homicídio. A Polícia Civil do Maranhão abriu inquérito e continua trabalhando para identificar o autor e esclarecer a motivação do crime. As investigações apontam fortes indícios de premeditação. A principal hipótese é que os autores localizaram a vítima justamente por causa da postagem feita minutos antes. Até o momento, no entanto, a motivação da execução não foi oficialmente estabelecida e nenhuma autoridade confirmou qualquer versão do que possa ter levado a ela.
Todo tipo de especulação circula nas redes sociais, mas especulação não é apuração de fatos. E a resposta ainda cabe à polícia.
Dois casos, dois estados, duas jovens vítimas: um menino de 14 anos morto por manter amizades do lado errado de uma linha invisível que ele, por ser autista, era incapaz de enxergar. Uma mulher de 21 anos morta minutos após mostrar onde estava. Em ambos, a exposição foi tratada como uma mensagem, e em ambos a imagem fez parte do método. No primeiro caso, o vídeo foi produzido para aterrorizar uma família. No segundo caso, uma postagem comum, do tipo que qualquer um de nós faz, tornou-se a peça de informação que faltava para o crime acontecer.
É isso que essas organizações fizeram com a noção de vida em várias regiões do país. Transformaram o cotidiano em uma geografia de fronteiras que ninguém desenhou, mas que todos são obrigados a respeitar sob pena de morte.
Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only.
Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously.
No real person or organization is intended to be portrayed.